Quando os filhos saem de casa
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terça-feira, 18 de maio de 2010
Vinícius Fonseca<br>Reportagem Local 
Sair de casa para constituir uma nova família ou mesmo para estudar; decisões importantes a serem tomadas pelos filhos, mas que nem sempre são bem aceitas pelos pais, que não querem se separar dos rebentos. ''A tristeza da separação sempre vai existir, todo ganho que ocorre na vida do filho causa isso'', avalia o psicólogo londrinense Fernando Zanluchi.
Para Sérgio e Elaine Casagrande, cujas filhas estão casadas, a adaptação ao novo estilo de vida foi rápido. ''Nós estipulamos atividades e procuramos sair'', comenta o administrador de empresas. ''Se elas estão felizes, não somos nós que vamos ficar tristes.''
Os casamentos aconteceram em 2008 e 2009 e Casagrande ressalta que a família sempre foi muito unida. ''Sempre fomos muito ligados, fazíamos tudo juntos, nem dormir fora de casa elas dormiam'', relatou. Agora, segundo ele, as filhas é que os procuram para realizarem programas em família.
Embora especialistas apontem que as mães têm mais dificuldade em aceitar a separação dos filhos, por serem mais presentes em suas vidas quando crianças, Elaine relata que superou a ausência mais rápido do que seu marido. ''No começo a gente sente, mas não desesperadamente e com o tempo foi tudo voltando ao normal'', afirma.
Para o casal, que está completando 30 anos de união, o forte vínculo que têm foi fundamental para que não dependessem tanto da presença das filhas. ''Como temos um bom relacionamento, por mais que sintamos a falta dos filhos a gente se compensa um com o outro'', afirma Elaine.
Sidney e Fátima Tozzi passaram por situação semelhante quando o casal de filhos resolveu sair de casa. ''O nosso filho saiu em dezembro e em janeiro a menina também foi embora'', comentou Fátima. O casal admite que os dias seguintes se mostraram difíceis.
Encontrar uma saída para a falta das ''crianças'' nem sempre é fácil, mas Fátima conta que uma das alternativas foi fazer uma faculdade. ''No fim das contas acabou sendo bom, porque arranjei o que fazer entre jovens e ainda me formei.''
O protético Sidney Tozzi revela que, assim como sua esposa, sofreu bastante para se adaptar ao novo estilo de vida, mas buscou não cair na monotonia. ''Eu procurei me ocupar com o trabalho, passei a cuidar mais do lado espiritual e continuar a vida'', afirmou.
Hoje o casal colhe frutos positivos por não ter deixado se abater e procura sair mais com os amigos para se divertir. Outro ponto que eles destacam é que de alguma forma o casamento dos filhos beneficiou o relacionamento de 35 anos. ''Eu passei a dar mais valor na Fátima e ela também em mim, isso fortaleceu nossa relação'', afirma Tozzi.


