Antes de aprender a ler, Arthur já sabia mexer no computador. Fernanda e Natalia adoram viajar pelos mapas do Google Earth e Isabeli checa os recados do Orkut todo dia. Com idades entre seis e dez anos, essa criançada não tem em comum só o gosto pela informática: de tão sabichões, eles tornaram-se professores dos pais, quando o assunto são engenhocas tecnológicas.
Curioso, Arthur Gomes Rossito, 8, já reconhecia os ícones na tela do computador com apenas três anos e em cada apertar de teclas descobria sozinho as maravilhas do universo tecnológico. ''Aprendi computação na escola. Gosto bastante de internet e o jogo de brincar de fugir do touro é meu favorito'', conta o garoto, que há um ano tem guardado o dinheirinho da mesada para comprar um videogame novo, de última geração.
E quando o computador resolve encrencar, é Arthur quem a mãe chama para salvar a pátria. ''Em relação a computador, as crianças dão uma aula na gente'', opina a mãe do garoto, a dentista Gisele Rocha Loures Gomes. Ela confessa que foram os filhos que a ensinaram a mandar mensagens pelo celular. ''Enquanto estamos lendo o manual, eles já estão fuçando. Não têm medo de estragar nada'', diz.
Conforme Gisele, a filha mais velha, Rafaela, 9, não é tão interessada em aparelhos eletrônicos como o irmão, mas também dá uma mãozinha para a mãe sempre que necessário. ''Acho muito positivo eles terem acesso à tecnologia quando crianças, desde que saibam usar de forma correta'', avalia a dentista, sugerindo sempre o acompanhamento de pais e professores.
Na casa dos Gomes, o uso do videogame, do computador e do celular é controlado, cerca de meia hora por dia, e as crianças devem escolher entre as opções. ''Se brincaram pela manhã não podem usar à noite e vice-versa.'' Para Gisele, o uso ponderado da tecnologia também agrega valores ao aprendizado dos filhos. ''Eles são ótimos alunos, mais espertos do que nós quando éramos crianças'', brinca a dentista.
A rotina movimentada, com aulas de natação, dança, futebol e taekwondo, impede que as crianças fiquem na frente da tevê ou do computador o tempo todo. ''Eles vivem a idade deles porque controlamos. Eles brincam juntos, brigam juntos e resolvem seus próprios problemas, não se separam para nada'', confessa a mãe, lembrando que além dos brinquedos eletrônicos, os filhos adoram o carrinho de rolimã construído pelo avô.
E se você pensa que Arthur reclama de ficar tão pouco tempo na frente do computador ou da tevê, engana-se: ''Não preciso de mais tempo, minha mãe me falou que ficar muitas horas em frente à tevê ou computador faz mal para os olhos'', ensina o garoto que, apesar de ser fã de tecnologia, também adora brincar ao ar livre com os amigos do condomínio, andar de bicicleta e, quem diria, estudar. ''Mas sou mesmo expert no videogame, só preciso de meia hora para zerar um jogo.''

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