Quando os cães não são amigos do homem
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sábado, 28 de março de 1998
Guilherme Pupo 
Albari RosaPerigoEm busca de segurança, muita gente coloca verdadeiras feras - nem sempre controláveis - dentro de casaEle é considerado o melhor amigo do homem, mas pode se transformar em uma fera e atacar o próprio dono. No Paraná, a Secretaria Estadual de Saúde registra uma média de 50 ataques de cães por dia, e a maioria dos animais morde os seus proprietários. Somente neste mês, três graves casos de ataques de cachorros a pessoas foram registrados no Estado. Em um deles, sete cães mataram a menina Gleike Aparecido Pego, de dois anos, em uma fazenda de Quinta do Sol. Em Curitiba, Joaquim Nascimento Costa morreu após ser atacado por seu mastim napolitano. E na semana passada, em Sarandi, um cachorro sem raça fugiu de casa e quase arrancou a orelha de Marcelo Mariotto, de nove anos.
Afinal, qual a explicação para o comportamento traiçoeiro e agressivo de certos cachorros?
Para o médico veterinário Renato Yamasita, especialista em tratamento homeopático para animais, o problema da agressividade de certos cães está relacionado à postura de seus proprietários. Muitas vezes, as pessoas são neuróticas com a proteção e a segurança e querem feras dentro de casa, avalia.
Todo cão de guarda precisa ser adestrado mas, segundo o veterinário, uma falha no adestramento também pode ser perigosa. Se o cachorro receber o adestramento de obediência - com comandos para sentar ou ficar quieto - em conjunto com o de ataque - para morder ou atacar -, o animal pode ficar confuso e se tornar rebelde, observa.
Yamasita comenta que casos de cães que atacam os próprios donos podem ser resolvidos com um readestramento, mas os proprietários também deveriam receber orientação. Não adianta fazer tratamento do animal se o problema está nos donos. Às vezes, o casamento não vai bem, há problemas no trabalho e o proprietário começa a descontar sua raiva no cachorro. Se o proprietário não se tratar, o animal volta a ser como era.
Raças - Para o presidente do Kennel Clube da Grande Curitiba, João Igor Huczok, é importante adquirir o animal enquanto ele é filhote (o adulto pode ter vícios de comportamento) e definir se o cão será de guarda, companhia ou guia. A raça não interessa muito. É claro que existem alguns cachorros mais agressivos, mas se eles forem bem adestrados não há problema, explica. Um adestramento dura entre 40 e 50 dias e custa cerca de R$ 500,00.
Entre as raças apropriadas para cuidar de residências, João Huczok indica cães de grande porte como o fila brasileiro, o rotweiller, o dobermann, o mastim napolitano e o pastor alemão. Os filhotes podem ser comprados em feiras ou diretamente dos criadores, e os preços variam de R$ 300 até R$ 2,8 mil (no caso de um mastim napolitano).


