Curitiba - No verão, é comum que o corpo sue mais. Porém, quando o incômodo é maior, pode ser hiperidrose, doença que atinge 1% da população e traz importantes prejuízos na qualidade de vida. As regiões do corpo mais afetadas são as mãos, axilas, rosto, cabeça e os pés, que suam exageradamente, em uma quantidade acima do que é necessário para controlar a temperatura corporal.
O tratamento da doença consiste em cremes que podem ser aplicados na pele; comprimidos tomados de forma contínua; injeção de medicamentos na região afetada (botox) e uma cirurgia, que promete resultado imediato – a simpatectomia torácica por vídeo.
De acordo com o cirurgião torácico do Hospital Nossa Senhora das Graças (HNSG), Paulo Boscardim, de Curitiba, o resultado do procedimento é percebido rapidamente. "Já no centro cirúrgico o paciente passa a não suar e a cura do problema se aproxima de 100%", destaca.
A cirurgia, com duração de aproximadamente 15 minutos, é feita com anestesia geral. Consiste no corte de uma pequena região do sistema nervoso simpático (nervo), que comanda o suor em excesso. Atualmente a cirurgia é realizada por técnicas menos invasivas, com dois cortes de meio centímetro, em cada axila e uma microcâmera que é introduzida no tórax pelas incisões.
Segundo Juliano Mendes de Souza, também cirurgião torácico do HNSG, a recuperação após a cirurgia é rápida. Normalmente, o paciente interna na manhã do dia da cirurgia e recebe alta no fim do dia ou na manhã seguinte. "Como qualquer cirurgia, o paciente tem dor no pós-operatório, mas na maioria dos casos é leve e melhora com analgésicos que são sempre receitados", orienta Souza. "Em dois a três dias, o paciente já pode retornar as atividades", complementa.

Efeito colateral
A hiperidrose reflexa ou compensatória é o efeito colateral mais comum da cirurgia, apesar de ser raro. Neste casos, o paciente para de suar onde tanto o incomodava e passa a suar em outros locais do corpo. Segundo Boscardim, os fatores que aumentam a probabilidade da compensação grave se manifestar são o índice de massa corpórea (IMC) maior que 26 e pessoas que já suam muito em diversas parte do corpo e que apresentam a hiperidrose craniofacial. "Realizamos uma seleção criteriosa dos pacientes, assim há uma diminuição considerável de incidência da hiperidrose reflexa grave", destaca o cirurgião.

Tensão
A doença surge devido ao funcionamento inadequado de uma parte do sistema nervoso, chamado de autônomo simpático, que leva as mensagens do cérebro para as glândulas de suor, fazendo o corpo transpirar mais. "As pessoas que tem a doença ficam constrangidas ao cumprimentar os outros com as mãos molhadas, têm dificuldades no trabalho ao usar ferramentas que escorregam, com utilizar computador ou escrever, e em situações de tensão, as mãos suam tanto a ponto de pingar", explica Souza.
Ainda de acordo com o especialista, este fator pode também estar relacionado à genética. "É comum várias pessoas da mesma família terem a doença e em algumas famílias ninguém possuí-la", orienta.

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