Quando o medo se torna um problema
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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem local 
Como lidar com o medo excessivo que causa até reações físicas? O que a fobia provoca e qual a orientação de psicólogos para as pessoas que convivem com o problema? De acordo com a psicóloga comportamental Grazielle Noro, de Londrina, todo medo vem da ansiedade. ''A ansiedade e a fobia são tipos de medo em graus diferentes e com características diferentes. O medo é uma reação normal que todo mundo tem e, quando está num grau controlado, a gente chama de ansiedade'', definiu.
Segundo Grazielle, a ansiedade pode ser considerado o grande problema da humanidade atualmente. ''Todos somos ansiosos, todos prevemos e planejamos eventos futuros. É a ansiedade que faz a gente se preparar para nos defendermos de qualquer coisa que possa acontecer'', explicou.
Para a psicóloga, o medo que sentimos nos remete à pré-história, quando o homem tinha que se preparar para possíveis ataques e se defendia com luta ou fuga. ''Algumas destas características a gente ainda tem. Diante do medo o coração dispara porque temos que enviar bastante oxigênio para o organismo, a transpiração vem porque precisamos acelerar a musculatura para correr'', elencou. Estas são as mesmas reações que a pessoa tem quando se encontra diante do que lhe causa fobia.
Grazielle explicou que a fobia está classificada nos transtornos de ansiedade que são seis: fobia específica, fobia social, transtorno de ansiedade generalizada, transtorno de estresse pós-traumatico, transtorno obsessivo compulsivo e o transtorno de pânico.
De acordo com ela, a fobia específica é identificada quando existe um estímulo do ambiente que desencadeia as reações de luta ou fuga. Este tipo de fobia tem origem em um trauma. ''Existiu uma situação em que houve condicionamento daquele estímulo. Pode ser que a pessoa não se lembre do que aconteceu, mas ela teve uma vivência negativa que desencadeou o medo'', afirmou.
Segundo Grazielle, ter receio de algumas coisas não é motivo para se preocupar, mas quando determinada situação paralisa e atrapalha a vida da pessoa é necessário investigar. ''Uma pessoa que tem medo de elevador e não consegue ir trabalhar porque precisa entrar no elevador tem um problema. Quando chega neste ponto a pessoa deve buscar ajuda profissional'', afirmou. Conforme ela, muitas vezes a terapia comportamental pode ajudar, mas quando se tem uma situação muito complexa é necessário tomar medicamentos.
Contato social
Conforme a psicóloga, é natural que as pessoas sintam uma certa ansiedade antes de todo contato social, principalmente com pessoas desconhecidas. ''Isso se torna uma situação de punição social quando o medo é exacerbado. A pessoa imagina como os outros vão reagir em relação a ela, se acha inapta e fica com medo da desaprovação'', disse.
Ela explicou que normalmente o medo não é direcionado para uma pessoa, mas quem sofre de fobia social relata que o incômodo maior está em torno das situações. ''Normalmente, a fobia aparece quando esta pessoa é muito observada, isso inclui qualquer espaço maior com aglomeração de gente. Algumas desenvolvem até o medo do toque. A vontade é de fugir desse ambiente a qualquer custo porque são pessoas que não se sentem seguras'', definiu.
Tanto a fobia específica quanto a social apresentam sintomas semelhantes. Ao entrar em contato com o estímulo a pessoa tem sudorese, o coração dispara, não consegue pensar e não sabe como agir. Grazielle disse que normalmente a fobia social é desenvolvida no decorrer da vida: as situações vão acontecendo, a pessoa vai se limitando e chega nesse grau. ''É difícil apenas um momento causar fobia social'', disse. Ela explicou que este tipo de fobia pode estar associada ao consumo de álcool e drogas, já que estas substâncias deixam a pessoa mais desinibida. ''Existem aqueles que não conseguem mais ter contato social se não fizerem uso de álcool.''
O diagnóstico deve ser feito de maneira criteriosa. E dentro da terapia proposta existem algumas técnicas que auxiliam na superação do problema. Uma das formas usadas pelos profissionais é colocar a pessoa em contato com o estímulo de forma gradativa e supervisionada.



