Muitos já deixaram a profissão inicialmente escolhida para se dedicar a outra completamente diferente. Mas há aqueles que, ao longo da vida, descobriram um novo talento e nem por isso abandonaram seu ganha pão. Aproveitam os fins de semana e horas de folga com um segundo trabalho e ainda são remunerados, mesmo que isto esteja em segundo plano.
Foi assim com a professora Wanda Coutinho, que sempre teve vontade e habilidade para trabalhar com arte. Mas motivos diversos a levaram, ainda jovem, para outro caminho. Caminho este que, felizmente, não a afastou totalmente de sua paixão. ''A profissão de professora me possibilitou o contato com uma parte da arte: o artesanato. Com ele pude desenvolver outras técnicas associadas ao meu trabalho'', conta.
Contudo, isso não era suficiente, e, depois de anos - casada e com filhos -, a vontade de 'mergulhar' na arte voltou. ''Queria desenhar e produzir. Foi quando dei início aos estudos em um atelier e logo em seguida veio a pintura.'' Não demorou muito e Wanda exporia suas obras em salões de arte; foram 19 ao todo. Ganharia também um prêmio, que pode ser visto no Museu de Arte de Londrina.
Ainda assim a vontade recolhida por anos parecia não se satisfazer somente com a pintura. ''Diante do contato com peças, principalmente em alumínio fundido, percebi que era o momento de diversificar. Comecei a conversar com pessoas que trabalhavam com o material para saber como faziam as peças'', declara. Sem qualquer curso, apenas pesquisas, ela conta ter 'quebrado a cabeça'. ''O início foi na base da tentativa e erro. Perdi muito material. Mas isso foi importante para descobrir meu caminho, meu estilo.''
Um ano se passou e a pintura ficou esquecida, mas as esculturas andavam a todo vapor. Tanto que o que era feito somente nas horas vagas passaram a ter horário reservado durante a semana. ''Remanejei minha escala de aulas para que eu pudesse ter as quintas e sextas livres para trabalhar com o alumínio.''
O que era hobby, há oito anos passou a ser trabalho sério e ainda remunerado, mesmo Wanda confessando não ser uma boa vendedora. ''Os amigos e conhecidos recorrem a mim quando têm um casamento ou aniversário. Talvez não sobreviveria somente desta profissão, mas não consigo viver sem ela; me dá um prazer enorme'', destaca.

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