Para algumas pessoas que já possuem determinadas patologias aqueles minutos de sono podem agravar o quadro. Pessoas que sofrem de refluxo gastroesofágico ou de hérnia de hiato, por exemplo, estão entre as que devem evitar dormir logo depois de comer. A neurologista Mônica Marcos de Souza relata que essas pessoas podem dar uma volta no quarteirão antes de dormir.
O gastroenterologista José Carlos Cortelassi reforça que nesses dois casos aquela soneca pós-refeição, seja almoço ou jantar, pode ser prejudicial. Ele explica que a hérnia de hiato acontece quando um pedaço do estômago está posicionado incorretamente, adentrando o tórax, acima do músculo do diafragma. Ele compara a hérnia de hiato com uma braçadeira que envolve o estômago e o divide em dois. ''Geralmente a pessoa já tem esse problema desde que nasce, por questões genéticas. Mas pode acontecer quando o estômago sai de sua posição natural, invadindo o tórax'', explica. Ele afirma que quando a hérnia é pequena não há necessidade de tratamento, mas em casos mais agudos o único tratamento existente é o cirúrgico.
Sobre o refluxo gastroesofágico, o médico esclarece que acontece quando a pessoa possui um esfíncter (uma espécie de válvula) que não consegue impedir que o ácido produzido no estômago suba para o esôfago, que não está preparado para receber esse tipo de secreção. Ele explica que o esfíncter existe justamente para barrar esse ácido e se a pessoa possui um esfíncter relaxado, o refluxo pode ser mais frequente, principalmente se a pessoa dormir depois de ingerir alimentos.
''Isso acontece com frequência em pessoas obesas e temporariamente em mulheres em período de gestação, mas pode acontecer também em pessoas que tomam alguns medicamentos como aqueles usados no tratamento da bronquite (teofilina), tratamento da pressão alta (nifedipinam anlodipina) ou no tratamento da osteoporose (alendronato)'', relata Cortelassi.
O médico explica que os grandes vilões que contribuem para agravar o caso são as refeições em volume muito grande e o consumo de fumo e bebidas alcoólicas.
O gastroenterologista salienta que ele e seus colegas têm notado um aumento da incidência do refluxo gastroesofágico, mas ainda não há estudos para determinar por que isso tem ocorrido. (V.O.)

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