Quando o cérebro entra em curto-circuito
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terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Assim que mais uma parte da saga dos vampiros adolescentes chegou aos cinemas, foram relatados casos de pessoas que tiveram crise epiléticas durante determinada cena. Algo parecido com o que aconteceu durante a exibição do desenho animado japonês Pikachu, no Japão, em 1997, quando mais de 600 crianças também sofreram episódios epiléticos. Nos dois casos havia um piscar de luzes com certa duração e intensidade que provocaram a reação.
De acordo com o neurologista Flávio Henrique Bobrof da Rocha, de Londrina, pessoas predispostas podem ter crises por fotoestímulo, com luzes intermitentes, tanto epiléticos como quem nunca teve o problema. ''Nesses casos é necessário evitar locais como discotecas. Os jogos mais recentes de videogame também trazem avisos de advertência, já que alguns têm cenas de explosões que podem causar o mesmo efeito'', adverte.
A epilepsia é definida como uma descarga anormal de vários neurônios de uma parte do cérebro ou do cérebro inteiro; e é essa descarga que leva ao aparecimento das crises. Para chamar de epilepsia, Rocha explica que deve haver mais de uma crise sem causa aparente. ''Hipoglicemia e febre também causam crises epiléticas, mas nesses casos não podem ser classificados como epilepsia'', destaca.
Causas
As causas da doença podem ser genéticas, por Acidente Vascular Cerebral (AVC), traumas de crânio que deixaram cicatrizes no cérebro, tumores, má-formações venosas ou vasculares, sequela de meningite ou cefalite. De acordo com o especialista londrinense, cerca de 5% da população pode apresentar uma crise convulsiva durante a vida.
A privação do sono, em pessoas predispostas, pode ser um gatilho para crises, assim como o abuso ou abstinência de álcool e quando o paciente para de tomar o remédio por conta própria.
Em geral, não há como prever que uma crise vai acontecer e também não há hora mais propícia, com exceção de algumas síndromes. ''Na chamada epilepsia mioclônica juvenil, a maior causa de epilepsia generalizada em pessoas novas, as crises ocorrem ao despertar. Também há uma forma de epilepsia que só ocorre durante o sono. O doente não percebe que teve uma crise, a não ser que acorde com a boca machucada. Geralmente é o companheiro que dorme junto que percebe'', explica Rocha.
Mesmo havendo causa genética, não é possível afirmar que o filho de um epilético irá desenvolver a doença. ''Em famílias com várias pessoas com epilepsia, apenas uma pode ter crise'', ressalta o médico.


