Quando nos vacinamos, protegemos nosso entorno
Londrina - Apesar de ter bons níveis de cobertura vacinal, o Brasil já começa a apresentar pontos onde a imunização não é homogênea. Trata-se, segundo a presidente da Sociedade Brasileira de Imunização (SBim), Isabela Ballalai, de um momento de grande preocupação. "Estamos longe de dizer que a causa da baixa cobertura é o movimento do antivacinismo. São motivos diversos que levam os pais a não darem a vacina. No Brasil, temos uma adesão boa, mas para erradicar totalmente doenças como a poliomielite ou sarampo é preciso ter cobertura total", diz a médica.
Ela faz uma referência ao antivacinismo, movimento com adeptos na Europa e Estados Unidos que defende que vacinas fazem mais mal do que bem ao organismo infantil. Entre os argumentos estão o suposto surgimento de doenças graves associadas à vacinação, como autismo e esclerose cerebral, e o fato de que as vacinas teriam começado a ser usadas quando as principais doenças infecciosas já estariam em declínio no mundo.
Isabela Ballalai também sustenta que a vacinação é essencial e deve ir além da infância. O mais comum no País, explica, é que o brasileiro deixe de ser vacinado assiduamente após os 2 anos de idade. "Os reforços também são importantes. Um dos motivos para que sejam feitos é tentar repescar quem não foi totalmente protegido anteriormente. As vacinas não são 100%, a eficácia pode ser menor, de 95 a 98%", assinala.
Ela defende que uma alternativa para aumentar a sensibilização sobre a importância da vacinação em dia é definir estratégias para aumentar a prescrição da imunização em outras faixas etárias, além da infantil. Adolescentes e adultos precisam estar em dia com as doses do calendário infantil e fazer os reforços e imunizações necessárias, conforme a idade. "A hepatite A, por exemplo, pode ser mais grave em adultos do que em crianças, porque os riscos de complicações aumentam. A doença na vida adulta também significa perda de qualidade de vida e do trabalho", argumenta.
O que faz a população se vacinar, acrescenta a presidente da SBim, é a orientação sobre a importância da prática. "Os médicos precisam falar mais sobre isso, assim como o pediatra faz nas consultas com as crianças. Gostaria muito de ver os médicos empenhados nisso", afirma. Ela reforça que este pode ser o caminho para evitar quadros como o apresentado no Ceará, onde casos de sarampo surgiram após 15 anos sem registro da doença. As crianças expostas a adultos com o vírus estavam entre o público mais afetado. Isso porque a imunização de bebês contra sarampo ocorre apenas ao completarem 1 ano. "Quando nos vacinamos, protegemos todo o nosso entorno. É a chamada proteção de rebanho", explica a médica.(A.L.)





