Quando não cura, a medicina pode aliviar
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terça-feira, 21 de outubro de 2008
Rosiane Correia de Freitas<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Entre o prognóstico e o desfecho de uma doença como câncer, Parkinson e Aids há um tempo precioso para a família e o paciente. É um período para se preparar para o desenvolvimento da enfermidade, prevenindo complicações e se antecipando a escolhas difíceis. É com o objetivo de tornar esse tempo menos sofrido para familiares e doentes que médicos têm se especializado no acompanhamento multidisciplinar de casos de doenças terminais ou degenerativas.
Para o médico oncologista Roberto Bettega, especialista em cuidados paliativos, essa atenção especial pode diminuir o sofrimento do paciente. ''Nosso principal trabalho é atuar no controle da dor'', explica. Bettega começou a se especializar na área depois que passou a observar que seus pacientes reclamavam menos do câncer e mais de problemas decorrentes do tratamento. ''Quando as possibilidades de cura se esgotam, ainda há muito o que ser feito pelo doente, principalmente em relação à qualidade de vida'', diz.
''Mesmo com um prognóstico desanimador, o paciente ainda pode ter cinco, dez anos de sobrevida e ele e a família precisam se preparar para isso'', avisa. Segundo Bettega, o cuidado com um paciente nessa situação envolve uma equipe multidisciplinar com psicólogos, fisioterapeutas, médicos e enfermeiros. Para o especialista, o investimento em cuidados paliativos pode significar, além da melhor qualidade de vida para o doente, uma economia para o sistema de saúde. ''Muitas vezes, o paciente só procura o médico quando há algo grave. Com o acompanhamento constante, a equipe de cuidados detecta esses problemas antes que eles se agravem, evitando internações e procedimentos caros e agressivos'', explica.
O próprio controle da dor e acompanhamento constante pode ser um fator que favorece o aumento da expectativa de vida. ''O estresse de sentir dor o tempo todo, a depressão debilitam o paciente, tornando-o mais suscetível a complicações que podem levar a óbito'', diz Elisabeth Fedalto, do ambulatório de cuidados paliativos do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
No HC há duas enfermeiras responsáveis pelos cuidados paliativos de pessoas que estão em fase crítica de tratamento. ''Nós avaliamos o paciente e encaminhamos para outros atendimentos que sejam necessários, como nutricionista, psicóloga e assistente social''.


