'Quando falo em mudar, minha filha chora'
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sábado, 23 de abril de 2011
Fernanda Carreira <br>Reportagem Local 
Rosicléia Morelato, 28, e Otávio de Andrade, 53, são coletores de café há 15 anos e mudam constantemente de cidade. O casal e as quatro filhas - Gislaine, 4, aluna da pré-escola, Maria Aparecida, 6, do segundo ano, Maria Nôemia, 10, e Maria Ângela, 14, ambas da quarta série - estão há dois anos em Uraí (Norte). As meninas estudam na Escola Municipal Leônidas Pontes e quem mais sofre com o processo de readaptação é a mais velha, que já reprovou várias vezes.
Segundo a mãe, a menina conversa pouco e tem dificuldade para conquistar novos amigos, porque quando começa a fazer amizades o casal precisa mudar. ''Eu fico com muita pena de ver o desespero dela quando a gente fala em mudar. Ela começa a chorar e pedir para não ir, mas o que eu posso fazer? Tenho que trabalhar'', revela Rosicléia, que já passou por várias cidades do interior de São Paulo.
O casal recebe por mês R$ 350 e agora se preparam para voltar ao interior de SP em maio. ''Não será fácil deixar Uraí, porque elas amam essa cidade, temos parentes e muitos amigos aqui'', lamenta Rosicléia, que começou a coletar café aos 15 anos, grávida da primeira filha.
Em Uraí, as mudanças sazonais das famílias que trabalham na colheita do café geram uma flutuação de alunos que atinge, a cada safra, 1% dos 711 estudantes matriculados nas três escolas municipais dos anos iniciais do Ensino Fundamental. ''A flutuação diminuiu nos últimos anos em função do programa Bolsa Família, cujo controle de frequência é coordenado por secretaria de Educação e da Assistência Social'', explicou a secretaria municipal de Educação, Sandra Regina Lunardelli Barichello.
Segundo ela, as famílias que passam longos períodos fora da cidade são orientados a levarem documento de transferência para garantir matrícula no novo logradouro. ''No retorno, eles também devem trazer a transferência da outra instituição'', explicou.
No caso das crianças que migram por até dois meses, existe a possibilidade de atendimento no contraturno escolar para recuperar os conteúdos perdidos e, assim, assegurar a promoção para a série seguinte sem mudança de escola. ''A garantia da vaga ao aluno flutuante é direito previsto em lei, mesmo que não seja atingida a frequência mínima'', afirmou. (Colaborou Carolina Avansini)


