'Quando ela não vem sinto falta'
Curitiba - Aos 88 anos, a professora aposentada Zilá Pacheco sai pouco do apartamento em que mora, em Curitiba. ''Tenho a perna fraca'', relata. Ela é uma das quatro idosas que a líder da Pastoral da Pessoa Idosa, Paschoa de Lourdes Domingo, 74 anos, visita todos os meses. ''Quando ela não vem sinto falta'', conta Zilá. O encontro de uma hora serve para conversarem e também para Paschoa conferir como anda a saúde da amiga com a ajuda de um ''checklist'' fornecido pela Pastoral.
A líder faz todas as visitas acompanhada da amiga e também voluntária da Pastoral, Maria Aparecida Vasconcelos Canhoto, 70 anos. Ambas são professoras aposentadas, mas mantém uma rotina cheia de compromissos. ''Também somos responsáveis pela capelinha e damos aula de pintura na Pastoral da Melhor Idade'', contam.
O trabalho tem efeito benéfico em todas. Para dona Zilá, a visita das líderes traz alegria e o contato com as antigas amigas da Legião de Maria, grupo religioso que frequentava antes de ter problemas de mobilidade. Já Paschoa e Aparecida dizem que o trabalho as ajuda a ficarem mais ativas. ''A gente apresente muito e não fica parada'', diz Paschoa.
A Pastoral da Pessoa Idosa é responsável pelo acompanhamento da saúde de mais de 167 mil idosos em 800 cidades por todo o Brasil. É graças a voluntárias como Paschoa e Aparecida que a entidade consegue, com R$ 1 por mês por idoso, combater o sedentarismo e a depressão.
Mas o grande mérito da instituição, diz o secretário estadual da Saúde, Gilberto Martin, é a visibilidade que o trabalho deu à terceira idade. ''A Pastoral acabou inspirando um maior cuidado na saúde pública com o idoso'', elogia. Para Martin, com o aumento da população idosa no Brasil, o trabalho da instituição deverá ter ''uma magnitude semelhante à da Pastoral da Criança''. (R.C.F.)





