Quando é inevitável dormir na primeira aula
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quarta-feira, 24 de outubro de 2007
Adriana Ito<br>Reportagem Local 
Se acordar cedo é um martírio para os estudantes do Ensino Médio, a situação se agrava com a chegada do horário de verão, quando eles são obrigados a acordar uma hora mais cedo, e é pior ainda para os estudantes que todos os dias enfrentam quilômetros de estradas para vir estudar em Londrina.
As amigas Nayara de Paula Passarim e Rafaela de Almeida Pantarotto, ambas de 16 anos, são de Rolândia, e já se habituaram a dormir dentro do transporte escolar no caminho para a escola em Londrina. ''Eu acordo às 5h20 da manhã. E, como gosto de estudar só à noite, às vezes fico até a meia-noite acordada'', comenta Nayara. Já Rafaela, que acorda às 5h45, confessa que precisa ir dormir às 21 horas para aguentar o ritmo puxado das aulas. Com o horário de verão, ela vai se deitar quando mal acaba de escurecer, mas garante que isso não atrapalha. ''Eu estou com tanto sono que consigo dormir'', explica. Ainda assim, ambas assumem que é inevitável dar umas ''pescadas'' durante as aulas, e às vezes até nas monitorias no período da tarde.
Wellington Sanchez, Ana Carolina Botaro e Patrícia Rigoni também precisam acordar entre 5h30 e 5h45, porque ele é de Jataizinho e elas são de Bela Vista do Paraíso. ''É duro porque a gente perde a noção de horário. Antes, eu sabia que era hora de acordar quando começava a clarear. Agora, quando acordo, tá tudo escuro, não dá para saber'', reclama Wellington, que costuma ir dormir por volta das 23 horas. Questionado sobre quais as aulas que dão mais sono, ele explica que ''normalmente são as aulas que a gente não sabe a matéria''. Para o trio, que não gosta do horário de verão por motivos óbvios, o pico de sono ocorre durante a primeira aula.
Redobrar a atenção, achar algo por que tenha interesse para pensar (independentemente da aula, inclusive) e escrever bastante são algumas dicas que os estudantes dão para driblar o sono. ''Eu geralmente peço para ir ao banheiro, para lavar o rosto'', conta o londrinense Otávio Benine, 15 anos, outra vítima do sono durante a primeira aula. ''Atrapalha um pouco, porque a gente acaba não prestando tanta atenção às aulas'', avalia. Porém, apesar do contratempo e da dificuldade de acordar cedo, Otávio revela gostar do horário de verão. ''Eu prefiro, porque a tarde fica mais livre, com mais tempo para aproveitar.''
Segundo a coordenadora pedagógica do ensino médio do colégio Maxi, Cássia Gimenes Barcaro, no início do horário de verão o professor acaba tendo um pouco mais de tolerância com esse tipo de sono. ''O estudante leva um tempo para se adaptar, mas não chega a atrapalhar o desempenho ou a capacidade de aprendizado. É uma fase de adaptação, e o adolescente naturalmente tem mais sono'', lembra.
O pediatra e hebiatra Walter Marcondes Filho confirma as palavras da coordenadora. ''O adolescente na faixa dos 13 aos 16 anos normalmente tem muito mais sono do que um adulto, devido a uma série de alterações hormonais'', explica, acrescentando que o problema é mais comum entre os meninos. Outro fator que, segundo o médico, acaba contribuindo para esse sono mais intenso é a dificuldade de adaptação ao mundo do adulto. ''Eles não são muito bem aceitos pelos adultos, e para eles esse mundo também não é agradável. Então, é como se eles quisessem dormir muito para que a vida corra mais rápido. O sono seria, então, além de resultante de mudanças corporais e hormonais, uma forma de ajudá-lo a elaborar essas perdas da infância.''
O hebiatra explica que é por isso que os adolescentes levam um bom tempo para se adaptar ao horário de verão. Para piorar, muitos não conseguem ir dormir mais cedo, atraídos por diversões como a internet, tevê, games e baladas. ''O horário de verão não traz nenhuma vantagem para os jovens. Alguns até gostam porque dá para aproveitar para ir ao clube, praticar esporte, mas o sono é sagrado para eles.''
Marcondes Filho sugere uma mudança de horário de toda a família para ajudar o jovem a conseguir ir dormir no horário certo. ''Os pais podem determinar o horário para ele ir dormir, para facilitar a adaptação à rotina. E ele vai ter só mais um mês e meio de aulas, então não é nada grave'', ameniza. O médico lembra ainda que é importante tomar um café-da-manhã reforçado para evitar tontura, fraqueza e mais sonolência durante as aulas.


