Carla (nome fictício), 14 anos, é mais uma jovem que os profissionais do Espaço Vida consideram estar em processo de recuperação. Há um ano e meio, quando entrou no projeto, ela era extremamente agressiva e chegou a ser diagnosticada com depressão.
Para a reportagem da Folha, alguns dias atrás, Carla falou com tranquilidade e fluência. Disse que se sente mudada mas confessou que os limites que a separam da marginalidade são tênues. ''Sou muito sensível. Quando alguém me magoa, tenho vontade de ir para a rua''.
Foi assim que ela agiu quando se sentiu hostilizada pela família, especialmente a mãe. ''Eu era um patinho feio para eles. Quando saía com minhas amigas, minha mãe dizia que eu estava me prostituindo. Dizia que eu tinha que ir embora. Pensei 'o que vou fazer?' Fui usar droga'', relata.
Desde os 12 anos, a adolescente experimentou maconha, crack, cocaína. Foi parar no Ciaadi por roubo, em dezembro de 2002, e retornou mais uma vez, ''por engano'', de acordo com ela.
Apesar dos atritos, foi a mãe de Carla que procurou tratamento para a menina. Ela está tentando se livrar de vez das drogas e retomar os estudos. Voltou a morar com a mãe e quer concluir um curso de corte e costura, interrompido, há dois meses, após uma ''recaída''.
Carla acredita, com base na própria experiência, que pode convencer outras pessoas a se recuperarem também. ''Todo dia que eu puder vou ao Zerão, falar com aquelas pessoas que vivem lá, se drogando, fazendo coisa errada. Dá para eles sairem dessa vida se quiserem. Tem que ter força de vontade'', resume. (V.N)

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