Quando a vocação fala mais alto
Londrina Mesmo com todas as adversidades, ainda há quem sonhe em lecionar na rede pública. Durante uma aula no laboratório do curso de licenciatura em Química, na Universidade Estadual de Londrina (UEL), dos 15 alunos do terceiro ano presentes, três deles manifestaram a vontade de ser professor do Estado. Porém, a insegurança e a falta de concursos públicos frequentes fazem com que eles cursem, paralelamente, o bacharelado ou o tecnológico.
"São poucos os alunos que cursam exclusivamente a licenciatura. A maioria prefere conciliar com os outros tipos de graduação, pois abre portas para o mercado de trabalho", conta a coordenadora do Departamento de Química da UEL, Maria Josefa Santos Yabe. Um dos alunos mais dedicados, Ozenaldo Augusto Sales, de 24 anos, não vê a hora de poder passar o conhecimento para os alunos. "A vocação conta muito e isso eu tenho de sobra", brincou.
Carolina Sala de Mores, de 22 anos, também deseja ser professora, mas cobra mais investimento do governo para que a carreira se torne mais atrativa. "Não vejo perspectiva de melhoria a curto e médio prazos, mas farei minha parte por uma educação melhor. Só assim poderemos mudar este cenário."
Sales já faz trabalhos pedagógicos com alunos do Colégio Olavo Bilac, em Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), por meio do Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (Pibid), iniciativa do governo federal para o aperfeiçoamento e a valorização da formação de professores. Outro que participa do programa é Carlos Salamanca, de 21 anos. Ele passou um ano na Espanha por meio de uma bolsa do Ciência sem Fronteiras e pôde conferir a diferença da valorização do professor. "São realidades bem distintas, principalmente nas condições de trabalho", comparou.
Thiago Valentim de Souza, de 21 anos, integra o time dos indecisos . Ele conta que leva em conta as dificuldades da profissão de professor e que tentará emprego em alguma indústria. "Infelizmente, a carreira da docência não é atrativa, talvez um dia possa seguir por esta área, mas no ensino superior", planeja. A professora da turma, Jaqueline Tobias, de 30 anos, atuou por três anos em uma indústria, mas a vocação falou mais alto. Ela concluiu o mestrado e voltou para a UEL, porém como professora. "No ensino superior as condições são melhores, temos mais estrutura", pontua. (C.F.)





