Quando a união faz a força
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quarta-feira, 07 de março de 2007
Mariana Guerin<br> Reportagem Local 
A zeladora Valdete Prado da Silva já cansou de matar cobras que insistem em entrar na casa dela, na Rua Antônio Lopes Alves, no Jardim Catuaí, Zona Norte de Londrina. Ela conta que matou duas cobras de 1,5 metro no início do mês passado, depois que um vizinho gritou avisando que os bichos estavam entrando no quintal.
''Aqui tem bastante fazenda ao redor, terreno vazio e o mato toma conta do asfalto. Também tem muito bueiro entupido e de vez em quando aparece escorpião nas casas'', descreveu a zeladora, que sente-se abandonada pelo governo e também pelas lideranças do bairro. ''Tem um senhor que se diz presidente do bairro, mas ele só aparece em época de eleição. Ele nos ajudou a conseguir o asfalto, mas foi só isso.''
A sensação de abandono não é exclusividade dos moradores do Jardim Catuaí. Segundo o presidente da Federação das Associações de Moradores de Londrina (Famol), Joel Tadeu Corrêa, das 210 associações registradas na cidade, somente umas 50 são atuantes.
Mato, esgoto, creches, asfalto, poda de árvores e segurança estão entre as principais demandas dos bairros, conforme avaliou Corrêa. ''Tem caso em que o presidente é menos atuante do que os moradores, que acabam tomando para si a responsabilidade de reclamar.'' Para Corrêa, a atuação política das associações deveria ser maior. ''Falta mobilização, posicionamento para conter os desmandos do poder público.''
Segundo ele, as regiões Norte e Leste são as mais carentes em termos de união dos moradores. ''Eles esperam muito dos vereadores, dependem muito da articulação de terceiros enquanto a união e articulação deles poderia ser maior'', assinalou o presidente da Famol, ressaltando que os habitantes das Zonas Sul e Oeste ''são mais articulados''.
Para capacitar os novos presidentes de bairro, a Federação costuma organizar cursos. O último, que debateu o controle social no Sistema Único de Saúde (SUS), contou com 39 novos representantes de associações de moradores. ''Nos cursos discutimos ainda a importância da participação dos líderes de bairro nos conselhos municipais'', reforçou Corrêa.
Ele explicou que para a formação de uma nova associação, normalmente são realizadas de três a quatro reuniões no bairro, as duas primeiras com o intuito de sensibilizar e motivar os moradores e as duas últimas para realizar a fundação propriamente dita, com aprovação do estatuto e organização do processo eleitoral. ''Quando a comunidade é bastante unida, a eleição é de chapa única.'' Em geral, os mandatos duram dois anos, mas, dependendo do estatuto, podem chegar a até quatro anos.
Se a união entre os moradores já existe e eles querem apenas formalizá-la, o processo eleitoral é iniciado de imediato. Segundo Corrêa, é lançado um edital, convocando a participação dos habitantes, 30 dias antes da eleição. ''As chapas devem se inscrever até uma semana antes da votação'', informou. A comissão eleitoral é formada por membros da Famol e fiscais das chapas concorrentes.
É comum as associações contarem com 12 membros na diretoria, seis executivos e seis conselheiros fiscais, ''mas varia conforme determinação no estatuto'', disse Corrêa. De acordo com ele, hoje, as associações já são enquadradas como Organização da Sociedade Civil de Interesse PÚblico (Oscip) porque discutem, entre outros temas, educação infantil e saúde.


