Quando a solidariedade contagia
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quinta-feira, 04 de setembro de 2014
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Londrina- Há pouco mais de seis meses a assistente administrativa da BR Consórcios, Rosana Ribeiro de Melo, de 30 anos, recebeu uma das melhores notícias que uma pessoa poderia receber: a de que seria mãe. No entanto a boa nova veio acompanhado de uma preocupação. Rosana possui uma doença crônica chamada Anemia Falciforme. Para combater isso, Rosana tomava um medicamento de uso contínuo, mas que é muito forte e poderia colocar em risco a saúde de seu bebê. Isso fez com que Rosana buscasse na transfusão de sangue a solução para sua anemia, mas a falta de doadores frequentes faz com que muitas vezes ela tenha de esperar vários dias para conseguir receber a transfusão.
A doença é hereditária e caracteriza-se pela alteração no formato dos glóbulos vermelhos do sangue, tornando-os parecidos com uma foice, daí o nome falciforme. Essas células têm sua membrana alterada e rompem-se mais facilmente, causando anemia. "Se eu não recebo a transfusão, posso até morrer", afirma a assistente administrativa. Ela ilustrou sua situação como a de um carro. "Quando meu corpo está bem, com muita hemoglobina, tudo anda bem, mas se começa a faltar a hemoglobina o corpo vai ficando sem combustível e vai ficando fraco." Segundo Rosana, a frequência da hemoglobina baixa pode resultar em uma leucemia.
Para ajudar a colega de trabalho, a assistente de Recursos Humanos da BR Consórcios, Laís Aparecida de Oliveira, decidiu entrar em contato com o Instituto de Hematologia de Londrina (Ihel) para saber se poderiam deslocar o ônibus usado nas campanhas de coleta de sangue até à empresa para que os funcionários pudessem ser doadores. "Naquele dia, eles puderam deixar o veículo só meio período e nem todos os funcionários conseguiram contribuir."
Mesmo com o curto período de coleta, a participação foi geral. Quase todos os funcionários se prontificaram a fazer a doação. O gesto dos colegas de trabalho comoveu Rosana. "Teve gente que revelou ter pavor de agulhas, mas aceitou doar sangue só para me ajudar", conta. Ao todo foram coletadas 40 bolsas de sangue.
Mas o ônibus estacionado na frente da empresa teve um efeito inesperado. Pessoas que frequentam o Lago Igapó para fazer caminhadas pediram para também doarem sangue. "Diante desse interesse entramos em contato com o Ihel sobre a possibilidade de voltarem à empresa para um dia inteiro de campanha de doações, a cada seis meses, para ajudar não só a Rosana, mas todas as pessoas que necessitam da transfusão de sangue, e eles toparam", comemora Laís. Ela lembra que muitas pessoas, por falta de tempo ou mesmo pela distância do local de coleta, acabam não doando. "Pensamos, porque não criar uma campanha permanente de doação de sangue?", indagou.
Rosana revela-se esperançosa com a iniciativa dos colegas de trabalho e reforça que as pessoas deveriam se conscientizar e realizar doações de sangue mesmo quando não possuem parentes precisando desse deste gesto. "A cada transfusão que recebo, preciso repor o sangue que utilizo por meio de doações de parentes e amigos, mas as pessoas precisam fazer isso regularmente", diz em tom de convocação.
A diretora de marketing Jane Prado informa que a próxima campanha será realizada na BR Consórcios no dia 9 de setembro, das 8 horas ao meio-dia e das 14 horas até às 18 horas.


