Em maio do ano passado, a estudante universitária Larissa Goes Costa, 20 anos, ia para uma festa de aniversário com o pai, a mãe, o irmão e o namorado. A menos de dez minutos do destino, na entrada do Distrito da Warta, em Londrina, um motorista atingiu o Corsa Sedan em que estava a família da jovem.
Dez dias depois ela acordou na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital e aos poucos foi recebendo a notícia, de que somente ela sobreviveu. Larissa não participou do velório e enterro de sua família. ''Eu perdi tudo de uma só vez. Tudo o que tinha de mais precioso.''
A universitária sofreu traumatismo craniano, quebrou o fêmur direito em vários lugares e teve outras pequenas fraturas. Durante cinco meses ficou em uma cadeira de rodas e precisou passar por duas cirurgias. Ela não voltou para a casa da família, onde tudo continua como no dia em que saíram para a festa. E ainda não teve coragem de ir ao cemitério. ''Tenho a impressão que ainda vou encontrá-los. Que tudo é uma mentira. Tem dias que parece que vão abrir a porta e entrar me chamando. É com o apoio dos meus tios, primos e amigos que tenho vencido a dor da perda'', confessa.
Larissa está concluindo a faculdade de Enfermagem e atende no Hospital Universitário muitas pessoas que sofreram acidentes. ''Uso a minha história para motivar outros a se darem uma nova chance. Digo a quem perdeu alguém que ainda temos os que ficaram e, principalmente, a nossa própria vida para viver. Não podemos nos enterrar com quem amamos, já que fomos escolhidos para continuar vivos'', acredita.
Noites, domingos, datas comemorativas, sempre há momentos em que a saudade bate na porta, mas Larissa não se deixa vencer. ''Ninguém tem o direito de desistir da vida. Minha dor não é maior que a dos outros. É difícil viver um aniversário, o Natal, a Páscoa, sozinha, mas tenho que prosseguir. E se a morte foi o fim da história deles, para mim, é um capítulo doloroso, mas não conclusivo.''. (B.M.)

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