Quando a gravidez chega ainda na adolescência de uma menina
Quando a gravidez chega ainda na adolescência de uma menina
José SuassunaErica Wandrembruck engravidou quando tinha 17 anos. Teve que abandonar os estudos por três anos e sentiu o preconceito das pessoas, principalmente das mães das amigas. Hoje, com 22 anos, ela cursa o 3º ano do curso de Jornalismo, cuida do filho Victor, e sonha em ter uma profissão e ser independente financeiramenteAos 17 anos, Erika Wandrembruck, hoje com 22, era uma garota igual a tantas outras: estudava, namorava, frequentava festas e shoppings, com a certeza de que a vida seguiria exatamente como esperava. Até que engravidou. Eu não achava que aconteceria comigo. Conhecia todos os métodos anticoncepcionais, mas não queria tomar pílula com medo dos efeitos colaterais, de que eu pudesse engordar ou ficar com celulite. Só tomava de vez em quando e controlava com tabelinha. Também não usava camisinha porque meu namorado não gostava, conta.
A gravidez foi um susto para todo mundo. Para ela, que estava cursando o 3ª ano do 2ª Grau e teve que parar de estudar por três anos; para o namorado, que apesar de já ter 28 anos, estava começando sua carreira de engenheiro mecânico, e para seus pais, que só ficaram sabendo da notícia quando ela estava de quatro meses. Meu namorado achou que foi uma traição minha, que fiquei grávida por querer, sem respeitar a vontade dele. Ele não queria casar e chegou até a pensar em aborto, com medo das mudanças que um filho causaria nas nossas vidas.
Da mãe, ela recebeu apoio desde o início, mas a relação com o pai foi mais difícil. Meu pai viajava muito, então eu ficava em casa enquanto ele não estava, a cada retorno dele eu tinha que ir para a casa da minha avó, porque ele não aceitava a minha gravidez.
Mudanças - Quem vê Erika, hoje, junto com seu filho Victor não imagina as dificuldades do início. Depois que o menino nasceu, muita coisa mudou. O namorado assumiu a paternidade, paga pensão e visita o filho regularmente. O avô não resistiu ao neto e hoje a criança é paparicada pelos avós. Erika também voltou a estudar. À tarde, enquanto ela frequenta as aulas do 3ª ano de Jornalismo da Faculdade Tuiuti do Paraná, Victor vai para a escolinha.
Quando fiquei grávida, eu não tinha a menor idéia do que era ser mãe. Só fui vendo depois, a medida que meu corpo mudava. Mas uma coisa que eu senti muito foi o preconceito das pessoas, das mães que não queriam que suas filhas saíssem comigo, e até na faculdade, onde sou a única que tem filho. Mas tudo isso faz a gente ficar mais madura, mais responsável. Hoje eu vivo em função do meu filho, quero ter uma profissão, a minha casa, ser independente financeiramente para poder educar o Victor, completa.(M.G.)





