Todos os dias, por volta das 12 horas, milhares de pessoas que fazem suas refeições fora de casa têm que decidir o que vão comer. Neste momento, as preferências se dividem e as opções de onde almoçar acabam acontecendo por motivos variados como preço, cardápio ou proximidade do local de trabalho, entre outros. O cenário fica ainda mais confuso pela grande quantidade de restaurantes, em especial os que oferecem buffet por quilo, que proliferam por Curitiba e outras cidades do País. Eles aproveitam a entrada cada vez maior no mercado de trabalho de jovens e donas de casa que tentam driblar a crise no orçamento doméstico.
O presidente da seção paranaense da Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento (Apres), Janus Werpachowski, disse que não existe uma estatística oficial sobre quantos restaurantes existem em Curitiba. ‘‘Pela lista telefônica temos cerca de 1,2 mil restaurantes e 500 pizzarias catalogadas, o que dá idéia da dimensão deste setor da economia’’, disse. Ele cita, entretanto, que atualmente 11 mil empresas estão cadastradas no Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Curitiba, do qual é tesoureiro.
Werpachowski conta que, deste universo, quase 35% são estabelecimentos que abriram e fecharam, ou trocaram de mãos, durante o ano de 1997, especialmente pela baixa rentabilidade do setor, que nestes tempos de grande concorrência se aproxima dos 10%.
Preferências - Mas o que leva o consumidor a decidir a que restaurante ir na hora em que a fome aperta? Para a secretária Rose Maria Osório, a comida vegetariana do Green Life, no Centro de Curitiba, é a solução para uma vida saudável, mesmo com a correria da semana de trabalho. ‘‘Comecei a frequentar este local há cerca de dez anos por causa de um problema estomacal. Hoje, mesmo com o problema resolvido, prefiro vir aqui por causa das várias opções de salada do buffet’’, contra.
O corretor de seguros Pedro Paulo Amin destoava da alegria da secretária Rose Maria na hora de fazer o seu prato. Amin explicou que comparece ao restaurante vegetariano quando sente que abusou das carnes. ‘‘É com uma pontinha de arrependimento e de culpa por ontem que estou aqui’’, explicou.
Satisfeito com o movimento de 400 pessoas por dia, o proprietário do Green Life, Rafael Konzen, cobra R$ 5 por pessoa durante a semana e R$ 6 nos finais de semana e feriados, o que garante um faturamento bruto de aproximadamente R$ 50 mil ao mês.
Quem prefere os prazeres da carne tem do outro lado da rua a opção do Center Grill, que cobra R$ 0,79 a cada 100 gramas de alimento. O dentista Heron Bauer disse que sempre prioriza restaurantes que oferecem comida variada e carne na hora de almoçar. ‘‘Aqui a comida é boa’’, explica. O proprietário do restaurante, Marcus Cagliari, disse que em razão da concorrência e dos pedidos da clientela passou a investir em pratos diferenciados, como risoto de camarão e bacalhau ao forno. ‘‘Os restaurantes estão competindo cada vez mais, e a gente tem que inovar’’.
A palavra inovar também foi a chave para os proprietários de um dos mais tradicionais estabelecimentos do Centro de Curitiba, o Restaurante Rio Branco, garantirem a freguesia. ‘‘A clientela ameaçava trocar o serviço tradicional pelo preço e rapidez de outros estabelecimentos’’, conta o gerente Moacir Duarte Martins.
Ele conta que o restaurante aliou a tradição do serviço oferecido desde 1945 e a qualidade dos pratos da cozinha brasileira à criação de novas promoções, com pratos executivos mais rápidos e baratos. ‘‘A maior procura é especialmente pelos grelhados, que ficam prontas em dez minutos e custam cerca de R$ 11,50. Mas os clientes de muitos anos continuam vindo até aqui para comer os nossos pratos mais tradicionais como a feijoada, a rabada e o vatapá.’’

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