Quando a fome aperta, é difícil escolher
PUBLICAÇÃO
sábado, 24 de outubro de 1998
Guilherme Vieira 
Todos os dias, por volta das 12 horas, milhares de pessoas que fazem suas refeições fora de casa têm que decidir o que vão comer. Neste momento, as preferências se dividem e as opções de onde almoçar acabam acontecendo por motivos variados como preço, cardápio ou proximidade do local de trabalho, entre outros. O cenário fica ainda mais confuso pela grande quantidade de restaurantes, em especial os que oferecem buffet por quilo, que proliferam por Curitiba e outras cidades do País. Eles aproveitam a entrada cada vez maior no mercado de trabalho de jovens e donas de casa que tentam driblar a crise no orçamento doméstico.
O presidente da seção paranaense da Associação Brasileira de Restaurantes e Empresas de Entretenimento (Apres), Janus Werpachowski, disse que não existe uma estatística oficial sobre quantos restaurantes existem em Curitiba. Pela lista telefônica temos cerca de 1,2 mil restaurantes e 500 pizzarias catalogadas, o que dá idéia da dimensão deste setor da economia, disse. Ele cita, entretanto, que atualmente 11 mil empresas estão cadastradas no Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Curitiba, do qual é tesoureiro.
Werpachowski conta que, deste universo, quase 35% são estabelecimentos que abriram e fecharam, ou trocaram de mãos, durante o ano de 1997, especialmente pela baixa rentabilidade do setor, que nestes tempos de grande concorrência se aproxima dos 10%.
Preferências - Mas o que leva o consumidor a decidir a que restaurante ir na hora em que a fome aperta? Para a secretária Rose Maria Osório, a comida vegetariana do Green Life, no Centro de Curitiba, é a solução para uma vida saudável, mesmo com a correria da semana de trabalho. Comecei a frequentar este local há cerca de dez anos por causa de um problema estomacal. Hoje, mesmo com o problema resolvido, prefiro vir aqui por causa das várias opções de salada do buffet, contra.
O corretor de seguros Pedro Paulo Amin destoava da alegria da secretária Rose Maria na hora de fazer o seu prato. Amin explicou que comparece ao restaurante vegetariano quando sente que abusou das carnes. É com uma pontinha de arrependimento e de culpa por ontem que estou aqui, explicou.
Satisfeito com o movimento de 400 pessoas por dia, o proprietário do Green Life, Rafael Konzen, cobra R$ 5 por pessoa durante a semana e R$ 6 nos finais de semana e feriados, o que garante um faturamento bruto de aproximadamente R$ 50 mil ao mês.
Quem prefere os prazeres da carne tem do outro lado da rua a opção do Center Grill, que cobra R$ 0,79 a cada 100 gramas de alimento. O dentista Heron Bauer disse que sempre prioriza restaurantes que oferecem comida variada e carne na hora de almoçar. Aqui a comida é boa, explica. O proprietário do restaurante, Marcus Cagliari, disse que em razão da concorrência e dos pedidos da clientela passou a investir em pratos diferenciados, como risoto de camarão e bacalhau ao forno. Os restaurantes estão competindo cada vez mais, e a gente tem que inovar.
A palavra inovar também foi a chave para os proprietários de um dos mais tradicionais estabelecimentos do Centro de Curitiba, o Restaurante Rio Branco, garantirem a freguesia. A clientela ameaçava trocar o serviço tradicional pelo preço e rapidez de outros estabelecimentos, conta o gerente Moacir Duarte Martins.
Ele conta que o restaurante aliou a tradição do serviço oferecido desde 1945 e a qualidade dos pratos da cozinha brasileira à criação de novas promoções, com pratos executivos mais rápidos e baratos. A maior procura é especialmente pelos grelhados, que ficam prontas em dez minutos e custam cerca de R$ 11,50. Mas os clientes de muitos anos continuam vindo até aqui para comer os nossos pratos mais tradicionais como a feijoada, a rabada e o vatapá.


