Confeccionadas em fibra de vidro, as esculturas são réplicas das existentes na Basílica de São João de Latrão
Confeccionadas em fibra de vidro, as esculturas são réplicas das existentes na Basílica de São João de Latrão | Foto: Marcos Zanutto



Bastam poucos passos dentro da igreja para se impressionar com o seu interior. Doze imagens em tamanho real representando os apóstolos narrados na Bíblia dão uma ornamentação artística à Capela Mãe da Divina Providência, no jardim Alcântara, zona sul de Londrina. Feitas em fibra de vidro, as esculturas são réplicas das existentes na Basílica de São João de Latrão, uma das quatro basílicas papais romanas, na Itália. No altar, outras três estátuas, de João Batista, Maria e Jesus ressuscitado, completam o acervo.

Segundo Roberto Fernandes dos Santos, empresário e responsável pelo setor de obras da igreja, a estrutura foi projetada com nichos em sua arquitetura para receber imagens ou outros objetos de grande porte. "As obras (da igreja) terminaram em dezembro de 2017 e desde quando se pensou em ter a capela nesta região a ideia era colocar apóstolos, mas não sabíamos se ia ser pintura ou imagem. Foi o padre Rafael Solano (hoje pároco da Catedral Metropolitana) que deu a sugestão de ser imagens. Ele também motivou para que fossem réplicas das que ficam na Basílica de São João de Latrão", conta. A capela é ligada à paróquia São Vicente de Paulo, também na zona sul.

A capela Mãe da Divina Providência está em um terreno de 2.500 metros próximo à PR-445. A construção começou em 2005 e foi custeada com ajuda da paróquia São Vicente e a partir de 2014 pela comunidade onde está inserida. "Antes dos anos 2000, as pessoas que moravam nos jardins Itatiaia e do Reno pleiteavam uma capela nesta localidade. Procuramos dom Albano Cavallin (arcebispo morto em 2017) e ele começou a celebrar missas nas casas. Em 2004 o pároco da paróquia São Vicente, à época, adquiriu um terreno e no ano seguinte começou a construção", relembra Divercy Pupim, corretor de imóveis e integrante da comunidade desde seu início.

DETALHES
As imagens têm 1,80 metro e trazem detalhes minuciosos que vão da feição às vestimentas. Cada apóstolo ainda carrega elementos que remetem à sua história. Mateus, por exemplo, cuja profissão era cobrador de impostos antes de se tornar apóstolo, tem a seus pés dezenas de moedas. Já Pedro carrega nas mãos duas chaves, que remetem a história dele ser o guardião das "chaves do céu".

"A expectativa de toda a comunidade era grande por ver e ter as imagens na igreja. Sabíamos que íamos receber este material, porém quando foi colocado surpreendeu a todos pela beleza. Muitos que vêm à capela ficam contemplando. Por conta da estrutura que apresenta, somada às esculturas, ela é muito procurada para casamentos. Temos cerimônias marcadas até o final de 2019", destaca Santos. O próximo passo é acrescentar abaixo de cada escultura um informativo com a história do apóstolo. "Muitas pessoas perguntam (sobre a história), então sentimos esta necessidade", completa.

ESPITUALIDADE
Pupim ressalta que a capela fica aberta de terça a sexta-feira, em horário comercial, para que as pessoas possam fazer suas orações e conhecer as obras. Além disso, o espaço conta com missas aos sábados, domingos, terças e quintas-feiras. "Queremos que as pessoas visitem, porque é um acervo artístico único no Paraná", garante. As peças dos apóstolos foram introduzidas no fim de 2017, enquanto as figuras de João Batista, Jesus ressuscitado e da Mãe da Divina Providência foram instaladas há cerca de quatro meses.

Vigário da paróquia São Vicente de Paulo, padre José Limeira Sobrinho acredita que as esculturas transmitem à capela uma soma intimista entre arte e espiritualidade. "É de uma riqueza muito grande. Estas esculturas fazem com que a comunidade tenha uma experiência muito forte sobre a história dos apóstolos e o exemplo de suas vidas. Para Londrina é um privilégio poder contar com todo este material. É um trabalho único para um acervo exclusivo."

A capela tem como co-padroeira madre Leônia Milito, considerada Serva de Deus e padroeira da vida no trânsito. A estrutura ainda conta com diversas palmeiras que receberam o nome de pessoas com ligação com a comunidade local, como forma de homenageá-las. A igreja está inserida em uma região onde vivem cerca de dez mil habitantes.

SERVIÇO - A Capela Mãe da Divina Providência fica na rua José Nogueira Franco, 435. O horário de funcionamento é das 8h30 às 11h30 e das 13h30 às 18h, de terça a sexta-feira. O telefone de contato é (43) 3341-5226

Trabalho foi feito em 18 meses
O processo de esculpir os 12 apóstolos, Maria, João Batista e Jesus foi trabalhoso e durou 18 meses. Um dos responsáveis pelo trabalho, Luiz Carlos Brazzale, relata que cinco pessoas participaram diretamente do serviço. "Foi feito primeiro o corpo de cada um e depois os membros. A vestimenta e acessórios foram feitos posteriormente com uma técnica própria para dar efeito de movimento à fibra de vidro, permitindo deixar bem próximo do real", explica.

Brazzale pontua que a técnica é diferente da que é aplicada habitualmente para esculpir imagens sacras. "Na escultura de barro tiramos a forma junto e a roupa acaba ficando 'chapada' na própria peça", exemplifica. As esculturas da capela da zona sul de Londrina ainda receberam uma pintura que dá a sensação de que seu material é o mármore.

Conhecedor das imagens da Basílica de São João de Latrão, o escultor usou como base fotos registradas por ele quando visitou o local durante viagens. "Normalmente procuramos fazer as esculturas por meio de pequenas réplicas ou fotos. Neste caso nos deixaram livres para escupirmos do jeito que avaliássemos que ficasse bom. Foi sugerido que fosse uma réplica da basílica. Imprimi as fotos que tinha e reproduzimos inspirados no que está lá. É uma cópia bem fiel", garante um dos proprietários da Pietá, empresa especializada neste tipo de trabalho.

Para poder elaborar os objetos que acompanham as imagens dos apóstolos, foi feita uma pesquisa do significado de cada instrumento. "A Maria retratada, que é a Mãe da Divina Providência, tinha uma tela como base e apenas do dorso. Reproduzimos a parte de cima e o restante acompanhamos o movimento de uma mulher vestida da época. No caso de Jesus, procuramos dar movimento até nos cabelos para remeter o sentido de ressurreição", descreve Luiz Brazzale, que também foi um dos autores da restauração da imagem do Sagrado Coração de Jesus da Catedral de Londrina.

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