Quando a falta de atenção vira problema
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segunda-feira, 14 de março de 2011
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Quem nunca esqueceu a chave trancada dentro do carro ou perdeu alguns minutos procurando um objeto que estava segurando? Esses episódios estão ligados à atenção, um processo neural que se expressa no comportamento do indivíduo.
De acordo com a psicóloga Magda Solange Vanzo Pestun, a atenção pode ser definida na forma que a pessoa filtra a informação. ''É um estado de alerta em que a pessoa prioriza alguns estímulos e negligencia outros'', explica.
A atenção pode ser controlada, é limitada e desenvolvida conforme o crescimento da criança, afirma a psicóloga. O adulto que não consegue ficar 45 minutos concentrado num mesmo assunto pode ter algum problema. ''É hora de procurar um profissional quando a pessoa percebe que a falta de atenção está interferindo no trabalho ou na convivência'', diz.
Ela explica que em alguns casos a dificuldade em se concentrar pode ser patológica. ''A distração pode ter sintomas secundários. Drogas, medicamentos, uso de álcool, desmotivação e depressão interferem na atenção'', explica. ''A ansiedade também altera, mas com a hiperação, acaba deixando a pessoa mais ligada'', completa.
A psicóloga alerta para os perigos da distração. ''Depende do estímulo e do que a pessoa considera importante. A mãe com um bebê no carro, por exemplo, pode achar a criança mais importante que o trânsito e se distrair ao ouvir o choro do filho. Além disso as profissões exigem cada vez mais das pessoas. A atenção depende de descanso apropriado e a alternância entre trabalho e lazer'', explica. Ela afirma que existem medicamentos que estimulam e colocam a atenção em foco, mas precisam ser indicados por um médico.
Entre as crianças a psicóloga destaca que geralmente a atenção - ou a falta dela - é registrada na escola. ''Só 6% das crianças em idade escolar tem desatenção por causas orgânicas. A maioria mostra desatenção em sala de aula, mas não em outro ambiente, isso é entendido como desmotivação e não como distração. A criança precisa ter estímulo apropriado para manter a atenção'', diz. Ela afirma que há provas neuropsicológicas que mostram quando a pessoa apresenta um deficit atencional.
De acordo com a psicóloga, a atenção pode ser dividida entre duas atividades. ''Por exemplo, a pessoa pode digitar um texto no computador e cuidar de uma criança pequena'', diz.
A atenção também pode ser alternada, já que temos a capacidade de desenvolver atividades sequenciais que precisam de estímulos diferentes. ''Como quando uma dona de casa lava a louça e assiste à televisão'', exemplifica Magda.
Pode ainda ser seletiva. ''Neste caso a pessoa elege um estímulo e negligencia outro. Por exemplo, a pessoa que está atenta a uma palestra e não se importa com a música de fundo ou a conversa de outros participantes'', definiu.
E, por último, a atenção pode ser sustentada, o que significa que a pessoa só consegue mantê-la em determinado estímulo por um certo tempo, ''como os alunos em uma sala de aula'', finalizou a psicóloga.


