Quando a doença não é física
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quarta-feira, 01 de agosto de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Quando a criança começa a apresentar febre e na consulta médica não há indícios de nenhuma doença, é comum os pais se questionarem que fator emocional acarretou o problema. Não é raro, inclusive, eles relatarem que após ganhar determinado brinquedo, a febre passou como mágica. Mas a dúvida é como agir nesses casos.
A psicóloga Kellen Escaraboto Fernandes, de Londrina, explica que a criança, ao passar por um estresse, pode apresentar, além da febre, também problemas de pele e queda de cabelo.
Ela afirma que a questão é relativamente comum, principalmente nas crianças menores, mas caso se apresente nas maiores é um indicativo de que ela tem dificuldades para enfrentar o problema. ''Mas não levamos em consideração tanto a idade e sim a intensidade e frequência. Se uma criança tem febre todos os dias, foge do padrão. Se ela tem febre uma vez só, mas convulsionou, e não está ligado a nada físico, está acontecendo alguma coisa errada'', ressalta.
De acordo com a profissional, a criança que passa por situações estressoras pode aprender a lidar com elas, mas isso vai variar para cada indivíduo. ''Querer uma boneca pode ser um super agente estressor para uma criança e para outra não. Com o estresse se libera um nível muito elevado de cortisol, que favorece a diminuição da imunidade da criança e é quando ela passa a ter febre, problema de pele'', explica.
Kellen ressalta que se a criança é pequena está aprendendo a lidar com situações desse tipo. O problema é como os pais acabam lidando com isso e podem acabar ensinando a criança a responder dessa forma para obter um determinado ganho.
''Nas crianças pequenas acontece de forma mais natural. É diferente de uma criança mais velha que consegue questionar. Existem crianças que esperam tanto por uma viagem e no dia ficam doentes. Talvez a ansiedade que estava relacionada à viagem acabou provocando um desgaste maior desse organismo e ele acabou respondendo de uma forma diferenciada. O simples fato de expressar pode ser uma prevenção ao estresse. Conforme vão crescendo eles têm que aprender a lidar com esses estressores de uma forma mais adequada'', explica Kellen.
Ela recomenda que os pais não cedam a todos os desejos do filho, por temer que ele vá apresentar febre. ''As crianças precisam aprender a ser resilientes, a lidar com o não, com o estresse. Os pais podem dizer não, explicando o porquê e podem até dar uma condição de previsibilidade, dizendo por exemplo, que irá levá-lo para tomar lanche quando receber o salário, no dia tal'', exemplifica a psicóloga.
De acordo com ela, o pai que não diz nem sim nem não gera um grande estresse na criança e é preferível dizer não do que criar uma expectativa. ''Se vai comprar, diga quando, mostre no calendário. Ou estabeleça metas, como o número de meses que vai ter que juntar o dinheiro para comprar'', recomenda.
Muitas vezes não é a negativa de um brinquedo ou passeio, mas alterações na rotina familiar que causam problemas, como separação dos pais, tirar a grade do berço ou a morte de um bicho de estimação. Nesse caso a recomendação também é de conversar com a criança, ensiná-la a lidar com a situação e não esconder a morte. ''Crianças com 2, 3 anos já têm condições de compreender. As menores sabem que sim é sim, não é não, mas vão chorar, se estressar, mas isso é saudável, elas estão testando o ambiente.''


