Quando a criança vira elemento de negociação
De forma geral, os recursos legais têm conseguido fazer cumprir os direitos dos filhos, na tentativa de amenizar os problemas decorrentes de uma separação. Infelizmente, porém, ainda não conseguem resolver o maior deles: pais que utilizam a pensão alimentícia e a própria criança como elementos de negociação ou forma de vingança pela separação. ''Não há lei que obrigue o pai ou a mãe a amar e a respeitar seus filhos'', lamenta a professora Claudete Canezin.
A professora observa que, na maior parte dos casos, o pagamento da pensão e o afeto por parte dos pais estão diretamente ligados: pais que rejeitam o filho têm um alto índice de inadimplência, independentemente de classe social. Já o pai que ama seus filhos paga em dia e chega a contribuir com um valor superior aos 30% estipulados.
O filho que se sentir prejudicado por não ter tido o afeto do pai, contudo, pode entrar na justiça por danos morais ou abandono de incapaz. ''É uma forma de tentar fazer com que esse pai sinta no bolso'', avalia a professora.
Guarda compartilhada
Atualmente, está em tramitação no Congresso Nacional um projeto de lei que institui a guarda compartilhada no Brasil. Porém, enquanto essa lei não é sancionada, muitos pais têm conseguido dividir as responsabilidades sobre o filho determinando, no próprio processo de divórcio, de que forma vai se dar o cuidado com a criança e o tempo que ela vai passar com o pai, de modo que não perca a referência paterna. Assim, ambos podem trabalhar em conjunto por sua formação.(A.I.)





