Primeiro quebraram uma janela, depois levaram algumas ferramentas. Em uma segunda visita surrupiaram peças das motos de clientes e assustaram o cachorro. Resultado: R$ 5 mil em prejuízos. Revoltado, Anthero Luchetti, que prepara motos para venda, reclama de um imóvel vizinho que está abandonado há seis anos no Jardim Universitário (Zona Oeste de Londrina). ''Eu quero vir morar aqui, mas não tenho segurança. A dona é de São Paulo e a imobiliária não se responsabiliza por nada''.
Pelo muro é possível ver colchões, restos de marmitas e objetos pessoais espalhados pela casa. ''É complicado porque eles até abriram um espaço pelas plantas do muro para espiarem aqui. Isso vai virando um mocó e ninguém cuida. Fica cheio de vasilha com água criando mosquito que pode ser da dengue. Ninguém se preocupa?''. Ele ainda esbraveja porque o imóvel dele está sendo desvalorizado. ''E aí piora ainda mais minha situação, né?''.
Segundo o programa Sinal Verde, da Secretaria Municipal de Assistência Social, em Londrina existem sete mocós ativos. ''Chegamos a ter 25 ao longo de 2006, mas foram sendo desativados pela nossa equipe em apoio com as de outras secretarias e órgãos municipais. Em janeiro do ano passado eram 12 ativos'', explica Sandra Coelho, gerente do programa que trabalha na assistência a moradores em situação de rua.
Segundo afirma, 90% dos mocós do município ficam em imóveis particulares. ''Essa é a principal característica deles. Alguns também se formam em restos de casas demolidas ou em construção. Mas todos começam em áreas com mato alto, sujeira em excesso e vidros quebrados.''
Sandra acrescenta que alguns mocós chegam a assumir um perfil mais organizado com o passar do tempo. ''Em alguns, os moradores se organizam e têm moradia relativamente fixa. Mas outros são utilizados para uso de drogas e promiscuidade. Em todos a gente chega com a nossa equipe e, caso haja qualquer risco à saúde ou segurança dos moradores, acionamos outras equipes parceiras e avisamos a Secretaria de Obras, para que notifique os proprietários'', afirmou.
A partir do aviso, os donos devem arrumar o imóvel ou o demolirem, conforme explica Alexandre Addário, da diretoria de Aprovação de Projetos, da Secretaria Municipal de Obras. ''Se não resolver, a multa vai pelo IPTU e em casos mais extremos se pede à Justiça para a própria prefeitura fazer a demolição. Isto já chegou a acontecer aqui na cidade'', disse. Addário ressalva entretanto, que essa tramitação costuma demorar alguns anos no Judiciário.

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