Quando a aventura pode virar tragédia
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terça-feira, 24 de junho de 2008
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Cambé - Há cinco anos, quando Jeferson da Silva Amaro tinha 14 anos de idade, uma brincadeira arriscada mudou sua vida. Acostumado a sair com amigos em busca de aventuras, o ex-skatista e hoje atleta paraolímpico passou por momentos dolorosos quando perdeu o braço e perna esquerdos ao cair embaixo de um trem, quando tentava pegar carona.
Disposto a alertar crianças e adolescentes que cometem as mesmas ''loucuras'' que ele costumava fazer, o morador de Cambé (Norte) proferiu uma palestra para cerca de 70 crianças da Escola Municipal Santos Dumont na manhã de ontem. A instituição tem em seu histórico a morte de um aluno e vários registros de vítimas desse tipo de acidente. ''Minha vida mudou totalmente. Não pensava no perigo. Fico preocupado quando vejo tantos meninos fazendo isso porque sei que a qualquer momento algo terrível pode acontecer'', comentou o atleta, que hoje pratica natação.
A coordenadora do período matutino, Sônia Maria Pedroso, lembrou que em 1989 um menino morreu quando pegava a rabeira de um caminhão, que seguia de bicicleta. Segundo ela, todos os dias é possível ver inúmeras crianças que saem da escola e correm em busca desse tipo de aventura. ''Anualmente fazemos alguma atividade na escola, que engloba a campanha de prevenção de acidentes de trânsito. Procupada com a quantidade de crianças que afirmam pegar rabeira em caminhões e ônibus, dessa vez a escola resolveu discutir o assunto, para ver se eles mudam o comportamento'', explicou.
Durante a palestra, ao ver a prótese no lugar da perna de Jeferson, as crianças manifestavam um mix de curiosidade e medo. ''Eu pegava rabeira de caminhão com minha bicicleta, mas não vou fazer mais isso'', comentou o pequeno Natanael Ribeiro do Nascimento Júnior, 10 anos. Quando o palestrante perguntou aos alunos quem já havia feito o mesmo que Natanael, a maioria ergueu a mão confirmando.
Decidido quanto à nova postura, que diz já estar tomando há um ano, César Rodrigo Reis de Souza, 9 anos, mostra a cicatriz que tem no ombro. Esperto e ciente do risco que correu, ele lembra que quando tentou pegar a carona de um caminhão correndo a pé, tropeçou numa pedra e caiu. ''Fiquei perto do caminhão, mas foi bem rápido. Fiquei todo ralado'', comentou.


