Quando a arquitetura é pouco valorizada
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sábado, 15 de abril de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Na Escola Estadual Professor Lauro Gomes da Veiga Pessoa, no Conjunto Luis de Sá (Zona Norte de Londrina), os primeiros passos dos alunos em direção ao pátio e salas de aula são através de uma escada, 13 degraus abaixo. Vencido o obstáculo inicial, os 860 alunos do ensino fundamental que frequentam a escola nos três períodos encontram um corredor pintado de cinza, com grades nas portas. Nem parece que a construção, inaugurada em 1987, foi feita para abrigar crianças.
A aparência pouco atrativa da escola não é um caso isolado. Várias instituições de ensino, seja por falta de recursos, questões ligadas à segurança ou falta de autonomia para fazer mudanças estruturais, são tristes e se assemelham a prisões. ''Tivemos que colocar as grades para prevenir os assaltos'', justifica a vice-diretora da Lauro Gomes, Cassiane Ferreira Mula.
Ela explica que a direção da escola e comunidade fazem o que podem para manter a estrutura bem conservada. ''Nas férias nós sempre pintamos as paredes, com a ajuda dos alunos e comunidade. Mas mantemos a cor cinza por ser padrão. Para mudar, teríamos que ter autorização do Estado.''
Em outra escola da Zona Norte, o Colégio Estadual Professora Olympia Moraes Tormenta, no Conjunto Semiramis Barros Braga, o recurso do ''bolsão'' foi adotado por recomendação da Patrulha Escolar. Para chegar ao espaço interno da escola, os 2,4 mil alunos têm que passar por um espaço delimitado por duas grades de ferro. Após o início das aulas, os portões são fechados e os que chegam atrasados têm que aguardar ali para entrar na segunda aula.
O local também abriga os alunos que saem das aulas antes que os pais cheguem para buscá-los. ''É uma forma dos alunos não ficarem circulando pelos corredores, atrapalhando as aulas. Assim também é possível manter em segurança os que aguardam para ir embora'', explica a diretora auxiliar Maria do Carmo Ribeiro.
No Colégio Estadual Marcelino Champagnat, localizado na Área Central, o sistema adotado é outro. Em vez de muros escondendo a escola, muita luz para iluminá-la, e em vez de grades nas portas e janelas, câmeras de segurança e um caseiro. O prédio, construído em 1943, foi restaurado em 1999, com o resgate de itens que já haviam sido esquecidos, como o relógio e uma fonte característica das construções no estilo lusitano. O muro alto que impedia a visão da fachada da escola foi derrubado, e em seu lugar construídos pilares que relembram a colonização inglesa e um arco remetendo à semente de café.
''É bom ter a visão da rua e saber que eles podem nos ver'', opina a aluna Halanna Pereira, de 12 anos. Seu colega de sala, Anderson Bruscagin, diz gostar dos muitos espaços que a escola oferece para estudar. ''Acho que eu iria estranhar se fosse para um colégio muito fechado'', afirma o garoto. Outra característica da escola, além da bela aparência, são as atividades constantes, inclusive nos finais de semana. ''Isto também ajuda na segurança. Projetos esportivos e culturais fazem com que tenham alunos na escola na maior parte do tempo'', lembra o diretor do colégio, Claudecir Almeida da Silva.


