Qualidade dos trabalhos de arte causa surpresa
O projeto Resgate do Encarcerado através da Arte, que está sendo desenvolvido na 14ª SDPdelegacia, ensina os detentos a pintar quadros com a técnica óleo sobre tela. Os trabalhos têm apresentado resultado tão satisfatório que já foram realizadas várias exposições em órgãos públicos, bancos e na Unicentro.
Quando as instrutoras iniciaram o projeto, muitos dos detentos não tinham a menor afinidade com desenhos. Elas contam que nos primeiros trabalhos, ainda feitos com carvão, ficava difícil imaginar que eles conseguiriam alcançar a qualidade de hoje. Eles desenhavam pior que qualquer criança. Hoje os quadros são excelentes. Não esperávamos um aprimoramento tão rápido, diz a instrutora Jeanéthe Meira Mendes.
O objetivo do projeto é trabalhar a identidade do detento. Fazendo com que eles assinem os trabalhos, nós queremos que se reintegrem à sociedade e não sejam mais conhecidos como bandidos, mas como pessoas que se recuperaram e podem ser valorizadas, diz.
As aulas são às segundas, quartas e sextas-feiras, num corredor que dá acesso às celas. As telas, tintas e pincéis são fornecidas pela prefeitura. Parte do dinheiro obtido com a venda das telas é repassada aos presos.
O detento Emerson José de Campos, 22 anos, disse que as aulas de pintura dão estímulo e melhoram o comportamento entre eles. Assim a mente fica ocupada e não pensamos em coisas ruins. Nos dias que tem aula nós já acordamos pensando que tem aula, no que a gente vai aprender, ressalta.
Campos disse também que muitas vezes se surpreendeu com o resultado do próprio trabalho. Depois que o quadro fica pronto eu me pergunto se fui eu mesmo quem fiz, se entusiasma.
Já o detento Vicente Barbosa da Silva, 35 anos, diz que aproveita cada aula porque essa é uma grande oportunidade que tem. Apredendo a pintar, quando sair eu posso ser alguém. A maioria das pessoas não acredita nesse trabalho de resgate que está sendo feito com a gente. E essa é a nossa chance de mostrar para elas que isso é possível. Isso que está sendo feito é muito diferente do que se faz com os presos de outras cadeias. Falo isso porque já estive em muitas delas.





