Israel Reinstein
De Curitiba
A qualidade do ar que o morador de Curitiba está respirando está abaixo da recomendável pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Uma pesquisa coordenada pelo Núcleo Interdisciplinar de Meio Ambiente e Desenvolvimento da Universidade Federal do Paraná (Nimad/UFPR) coloca em xeque a qualidade do ar da cidade, apontando que em alguns bairros os níveis de ozônio e poluentes ultrapassam o ideal. O programa Pro-Ar foi desenvolvido em escolas, grupo de escoteiros e igreja.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, professora Ziolé Zanotto Malhadas, o nível de poluição em determinados bairros ficou, durante os meses de agosto, em até 32 vezes acima do recomendável. A medição da poluição foi feita em 30 pontos da cidade, sendo que 29 eram em escolas, onde os alunos coletavam os dados, usando um kit apropriado. Medindo a concentração de óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos, que formam o ozônio, foi levantada a quantidade de partículas por bilhão (ppb) no ar.
No relatório, os bairros do Ahú, Mercês, Praça da Ucrânia, Centro Cívico, Batel, Santa Quitéria, Bairro Alto e Pinheirinho demonstraram a maior quantidade de poluentes. Segundo levantamento dos alunos, os índices de poluição reduziram apenas no período de chuvas.
Ziolé defende um trabalho mais intenso de conscientização ambiental. Ela sugere também que as informações oficiais devem ser mais acessíveis à comunidade, com as pesquisas mais claras. A Folha procurou o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para se posicionar sobre o assunto, no entanto, a responsável pelo monitoramento do ar, Ana Cecília Nowacki, estava em reunião.
Para a pesquisadora, a conscientização pelas crianças é possível e viável. O próprio programa Pro-Ar trabalha com os jovens. Ontem, alunos e professores dos 29 colégios apresentaram trabalhos específicos de combate à poluição.

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