Qualidade do ar de Curitiba é pesquisada por 28 escolas
Qualidade do ar de Curitiba
é pesquisada por 28 escolas
Kraw PenasProfessores e alunos participarão do projeto de controle ambientalLuciana Pombo
De Curitiba
Mais de 12 mil estudantes e cerca de 90 professores de Curitiba estarão responsáveis pelo controle e monitoramento diário da qualidade do ar da cidade por oito horas durante todo o mês de agosto. O projeto é da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e está sendo realizado em conjunto com 28 escolas em diferentes bairros da cidade. Através de um sensor simples chamado de Ecosinal, os alunos e professores poderão avaliar a concentração de poluentes na atmosfera.
Além de medir os poluentes, os alunos ainda serão responsáveis pela avaliação da deposição de material particulado nas plantas e pela medição da acidez da água da chuva. Com todos estes dados em mãos, poderemos fazer um estudo aprofundado sobre as condições de poluição de Curitiba, afirmou a professora Ziole Malhadas, coordenadora do projeto ProAr da UFPR.
As medições serão feitas durante quatro semanas (até o dia 3 de setembro). Todos os dados serão tabulados e avaliados por técnicos da universidade. Os resultados deverão ser divulgados no final do mês que vem. As pesquisas feitas pelo ProAr iniciaram em 1995, quando foram colocados medidores em residências de alunos e professores. Em 1997, os primeiros medidores foram usados em escolas com a participação de 92 professores e quase 12 mil alunos. O método adotado em Curitiba é o mesmo usado, de acordo com Ziole, em 90 cidades dos Estados Unidos. Apesar de parecer simples, a medição é precisa, afirmou ela.
Nas medições feitas nos anos anteriores, ficou comprovado que a presença de poluentes na superfície da cidade ultrapassa os limites estabelecidos pelos padrões nacionais de qualidade do ar, fixados pela resolução 03/90 do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). O limite estabelecido para os níveis de presença de ozônio é de 160 microgramas por metro cúbico por uma hora e que não deve ser excedido mais de uma vez ao ano. No entanto, foram registrados 400 microgramas em medição de oito horas. Este nível é muito alto e demonstra que os problemas precisam ser resolvidos urgentemente, afirmou ela.
Outro dado preocupante levantado na pesquisa é o índice de doenças do aparelho respiratório registrado em Curitiba. As doenças do aparelho respiratório são a principal causa de mortalidade infantil no Estado, o que demonstra que alguma coisa no nosso ar não anda bem, argumentou.
Para embasar ainda mais os estudos, a professora pediu que seja feito um acompanhamento do índice de doenças respiratórias registradas em agosto no Hospital de Clínicas de Curitiba. O mês de agosto é avaliado por ser o período de maior variação de temperatura e vento, o que possibilita o acúmulo de gases na atmosfera.





