Londrina - Quem escolhe o Lago Igapó 2 (zona sul de Londrina) para práticas de lazer e atividade física não imagina que o local não é um dos mais saudáveis em termos de qualidade do ar. Isso porque ao seu redor estão vias de grande fluxo de veículos, como a Avenida Higienópolis.
Essa constatação só foi possível através de um estudo feito pelo Grupo de Poluição do Ar e Processos Atmosféricos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Londrina. Durante 30 dias, o grupo monitorou o trajeto entre o Iate Clube de Londrina e a esquina da Avenida Higienópolis com a Rua Sergipe (região central).
Com uma bicicleta equipada com um dispositivo capaz de identificar a emissão de partículas poluentes, os pesquisadores percorreram o perímetro em dois períodos: às 8 horas e às 17h30, ou seja, em horários de pico.
Após todo esse trabalho, a conclusão não é nada agradável. Os dados apontam que os níveis de poluição estão acima do recomendado pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), do Ministério do Meio Ambiente.
"Me preocupa mais a segurança do local do que a questão da poluição, até porque é algo que não dá para se imaginar em um espaço como esse, com uma ampla área verde e o próprio Igapó", comenta a médica pediatra Alcione de Mello e Silva, que caminha no entorno do lago três vezes por semana.
Coordenada pelo professor Admir Targino, pós-doutor em Química da Atmosfera pelas universidades de Manchester e York (Inglaterra), a pesquisa monitorou o índice de emissão de partículas em suspensão na atmosfera.
Essas partículas, compostas principalmente por poeira, fuligem e reações decorrentes do contato entre dióxido de enxofre e óxido de nitrogênio com oxigênio, compõem apenas uma parte da poluição gerada por automóveis e outros equipamentos de combustão, como fornos. Já os gases não foram considerados nesta etapa.
Para se ter uma ideia do malefício dessa poluição, o professor explica que o Conama recomenda uma exposição máxima de 240 microgramas de partículas por metro cúbico de ar, a cada 24 horas. Na região do Igapó 2, bastam dois minutos para que as pessoas inalem mais que o recomendável para um dia inteiro, pois a emissão por minuto desses poluentes chega a ultrapassar 150 microgramas por metro cúbico. No alto da Higienópolis, próximo à Sergipe, a emissão é ainda maior, atingindo 400 microgramas por metro cúbico de ar a cada minuto.
Para saber exatamente os efeitos dessa exposição a longo prazo, o grupo realizará mais uma etapa do estudo, mas não é difícil imaginar que os malefícios afetam o sistema respiratório. "No caso de alguém jovem, saudável e sem predisposição a disfunções nas vias aéreas, os efeitos da poluição demoram a aparecer, mas se temos como exemplo alguém com a saúde já debilitada ou então um idoso, em pouco tempo é possível perceber uma piora do quadro médico", salienta Targino.
"Eu tenho certeza que faz mal, que é prejudicial à nossa saúde, mas infelizmente é algo difícil de se evitar", comentou Angélica Carvalho, enquanto aguardava o ônibus no ponto em frente ao Lago. Ela observa que em horários de pico a fumaça é ainda maior. "É muito ruim, ainda mais quando o tempo está seco, abafado. O pior de tudo é que a tendência é piorar, não é?"
O estudo é pioneiro no município e, segundo Targino, deveria ser estendido para diagnosticar a qualidade do ar da cidade como um todo. "É uma primeira iniciativa, mas nós gostaríamos de ver o poder público interessado em expandir este levantamento. É importante identificar os pontos problemáticos para daí estabelecer linhas de combate à poluição. É fundamental regular os automóveis e os estabelecimentos que emitem fumaça", ressalta.

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