Material utilizado pelo Consórcio Intermunicipal custa, em média, 50% menos que a massa asfáltica que normalmente é aplicada
Material utilizado pelo Consórcio Intermunicipal custa, em média, 50% menos que a massa asfáltica que normalmente é aplicada | Foto: Fotos: Anderson Coelho


Ibiporã - O recape asfáltico realizado recentemente em dezenas de ruas dos bairros Pinheiro, Eldorado, Pérola, Ouro Verde, Vila Ribeiro e Vila Eliane, na zona sul de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), tem causado muita reclamação por parte da população. Executado pelo Cindepar (Consórcio Público Intermunicipal de Inovação e Desenvolvimento do Estado do Paraná), o serviço apresenta diversos problemas, como desníveis, esfarelamento, buracos e espaços com asfalto inacabado.

Morador da avenida Antônio Nalim, no jardim Vila Ribeiro, Carlos Freitas decidiu refazer parte do trabalho na via em razão das imperfeições. "O asfalto é de péssima qualidade. Fiquei esparramando isso que colocaram na rua depois que executaram o serviço para não ficar desnivelado. Peguei uma pá e fui por uns 30 metros assentando. É inadmissível fazerem algo dessa maneira", revolta-se.

Indicado para locais que não recebem grande volume de veículos, em razão de sua espessura, o material utilizado pelo Cindepar custa, em média, 50% menos que a massa asfáltica que normalmente é aplicada. Nos bairros de Ibiporã que receberam o trabalho executado pelo consórcio, diversas vias fazem parte do trajeto dos ônibus do transporte coletivo e do maquinário da prefeitura, já que o barracão onde são guardados fica na região. Pessoas que possuem chácaras próximas também passam na localidade com tratores.

"Já fomos na Câmara de Vereadores e na prefeitura cobrar. Foi um trabalho muito mal feito e que ainda está acontecendo por aqui. É dinheiro público jogado no lixo. Com todas as pessoas que converso, ainda não encontrei uma que ficou feliz com o asfalto que agora está na frente da casa onde mora ou do comércio", conta Paulo Galvão, presidente da associação de moradores dos bairros que receberam a pavimentação.

Além da qualidade do asfalto, a maneira como o serviço foi feito também vem gerando contestação dos moradores. Vários bueiros foram entupidos com o material utilizado. "Tem mais asfalto dentro dos bueiros do que nas ruas. Antes de passarem com o caminhão, sequer taparam os buracos que já tinham. A impressão é que realizaram com pressa", denunciou o autônomo José Benevides. "Quem falar que isso é asfalto está mentindo", completou.

Os moradores também relatam acidentes com motociclistas, que escorregaram nas pedras soltas. "Moro aqui há 45 anos e há muito tempo cobramos o recape nas ruas dessa região. Porém, vieram e fizeram um serviço que ao invés de melhorar, piorou. Está claro que na hora que chover vai sair tudo. É muito fino e só têm pedras", afirma a costureira aposentada Clarinda Tesser.

"Tem mais asfalto dentro dos bueiros do que nas ruas", reclama um dos moradores
"Tem mais asfalto dentro dos bueiros do que nas ruas", reclama um dos moradores



MAIS PACIÊCIA
De acordo com o prefeito de Ibiporã, João Coloniezi (PMDB), a contratação do Cindepar para aplicação do micropavimento asfáltico foi a única solução encontrada para que o município pudesse melhorar as vias. Foram dois lotes adquiridos, totalizando 196 mil metros quadrados de ruas que vão receber o trabalho. "Essa é uma solução salvadora para os municípios, porque não temos condições de fazer o recape frente a crise financeira que todas as cidades estão passando."

Ele afirmou que uma chuva fez com que o serviço executado apresentasse os problemas. "Ainda vamos fazer a pintura da sinalização e limpeza de bueiros. Nos lugares que passam ônibus e maquinário, será feita outra mão do micropavimento para reforçar", informou. "Fizemos este trabalho em outro bairro inteiro e deu tudo certo. A população precisa ter um pouco de paciência", minimizou.

Consórcio atende 123 municípios
Funcionando desde 2013, quando a atuação limitava-se à Região Metropolitana de Maringá, o Cindepar (Consórcio Público Intermunicipal de Inovação e Desenvolvimento do Estado do Paraná) atende atualmente 123 municípios das regiões Norte e Central. Em 2016, mais de um milhão de metros quadrados foram executados e, segundo Antônio Carlos Lopes, diretor executivo do consórcio, 90% das ruas que receberam o material não registraram problemas.

"Temos registrado um grande percentual de prefeituras afirmando que o serviço fica em perfeitas condições. Em alguns pontos, a questão climática e o tapa-buracos, feito previamente, podem interferir. Num primeiro momento o asfalto pode até parecer estranho, porém com o tempo vai ficando mais uniforme e vai melhorando", explicou.

Lopes também defendeu a qualidade do serviço realizado pelo Cindepar e da malha que é aplicada nas vias, que por seu custo benefício, entre R$5 e R$6 o metro quadrado, oferece ótimos resultados. "O micropavimento asfáltico não é lama asfáltica. A diferença é o que o micropavimento solta mais pedras e possui um piso mais áspero, diferente do asfalto CBUQ, que fica com o acabamento melhor, mas custa muito mais caro", justificou.

Sobre o caso de Ibiporã, em que os moradores reclamaram das características do asfalto, ele garantiu que após o trabalho nos bairros ser finalizado será realizada uma avaliação e, se necessário, os pontos com adversidades poderão ser refeitos.

Em Londrina, o Executivo enviou para à Câmara, no final de março, o projeto de lei que busca autorização para o município integrar o Cindepar. Entretanto, a prefeitura retirou de pauta na última semana alegando que o texto precisava passar por algumas alterações. O prazo é de que ele seja entregue novamente na quinta-feira (29), estando, a parti daí, apto para votação no plenário da Casa. (P.M.)

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