Qualidade de pavimentação gera reclamações em Ibiporã
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quarta-feira, 28 de junho de 2017
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

Ibiporã - O recape asfáltico realizado recentemente em dezenas de ruas dos bairros Pinheiro, Eldorado, Pérola, Ouro Verde, Vila Ribeiro e Vila Eliane, na zona sul de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina), tem causado muita reclamação por parte da população. Executado pelo Cindepar (Consórcio Público Intermunicipal de Inovação e Desenvolvimento do Estado do Paraná), o serviço apresenta diversos problemas, como desníveis, esfarelamento, buracos e espaços com asfalto inacabado.
Morador da avenida Antônio Nalim, no jardim Vila Ribeiro, Carlos Freitas decidiu refazer parte do trabalho na via em razão das imperfeições. "O asfalto é de péssima qualidade. Fiquei esparramando isso que colocaram na rua depois que executaram o serviço para não ficar desnivelado. Peguei uma pá e fui por uns 30 metros assentando. É inadmissível fazerem algo dessa maneira", revolta-se.
Indicado para locais que não recebem grande volume de veículos, em razão de sua espessura, o material utilizado pelo Cindepar custa, em média, 50% menos que a massa asfáltica que normalmente é aplicada. Nos bairros de Ibiporã que receberam o trabalho executado pelo consórcio, diversas vias fazem parte do trajeto dos ônibus do transporte coletivo e do maquinário da prefeitura, já que o barracão onde são guardados fica na região. Pessoas que possuem chácaras próximas também passam na localidade com tratores.
"Já fomos na Câmara de Vereadores e na prefeitura cobrar. Foi um trabalho muito mal feito e que ainda está acontecendo por aqui. É dinheiro público jogado no lixo. Com todas as pessoas que converso, ainda não encontrei uma que ficou feliz com o asfalto que agora está na frente da casa onde mora ou do comércio", conta Paulo Galvão, presidente da associação de moradores dos bairros que receberam a pavimentação.
Além da qualidade do asfalto, a maneira como o serviço foi feito também vem gerando contestação dos moradores. Vários bueiros foram entupidos com o material utilizado. "Tem mais asfalto dentro dos bueiros do que nas ruas. Antes de passarem com o caminhão, sequer taparam os buracos que já tinham. A impressão é que realizaram com pressa", denunciou o autônomo José Benevides. "Quem falar que isso é asfalto está mentindo", completou.
Os moradores também relatam acidentes com motociclistas, que escorregaram nas pedras soltas. "Moro aqui há 45 anos e há muito tempo cobramos o recape nas ruas dessa região. Porém, vieram e fizeram um serviço que ao invés de melhorar, piorou. Está claro que na hora que chover vai sair tudo. É muito fino e só têm pedras", afirma a costureira aposentada Clarinda Tesser.

MAIS PACIÊCIA
De acordo com o prefeito de Ibiporã, João Coloniezi (PMDB), a contratação do Cindepar para aplicação do micropavimento asfáltico foi a única solução encontrada para que o município pudesse melhorar as vias. Foram dois lotes adquiridos, totalizando 196 mil metros quadrados de ruas que vão receber o trabalho. "Essa é uma solução salvadora para os municípios, porque não temos condições de fazer o recape frente a crise financeira que todas as cidades estão passando."
Ele afirmou que uma chuva fez com que o serviço executado apresentasse os problemas. "Ainda vamos fazer a pintura da sinalização e limpeza de bueiros. Nos lugares que passam ônibus e maquinário, será feita outra mão do micropavimento para reforçar", informou. "Fizemos este trabalho em outro bairro inteiro e deu tudo certo. A população precisa ter um pouco de paciência", minimizou.
Consórcio atende 123 municípios
Funcionando desde 2013, quando a atuação limitava-se à Região Metropolitana de Maringá, o Cindepar (Consórcio Público Intermunicipal de Inovação e Desenvolvimento do Estado do Paraná) atende atualmente 123 municípios das regiões Norte e Central. Em 2016, mais de um milhão de metros quadrados foram executados e, segundo Antônio Carlos Lopes, diretor executivo do consórcio, 90% das ruas que receberam o material não registraram problemas.
"Temos registrado um grande percentual de prefeituras afirmando que o serviço fica em perfeitas condições. Em alguns pontos, a questão climática e o tapa-buracos, feito previamente, podem interferir. Num primeiro momento o asfalto pode até parecer estranho, porém com o tempo vai ficando mais uniforme e vai melhorando", explicou.
Lopes também defendeu a qualidade do serviço realizado pelo Cindepar e da malha que é aplicada nas vias, que por seu custo benefício, entre R$5 e R$6 o metro quadrado, oferece ótimos resultados. "O micropavimento asfáltico não é lama asfáltica. A diferença é o que o micropavimento solta mais pedras e possui um piso mais áspero, diferente do asfalto CBUQ, que fica com o acabamento melhor, mas custa muito mais caro", justificou.
Sobre o caso de Ibiporã, em que os moradores reclamaram das características do asfalto, ele garantiu que após o trabalho nos bairros ser finalizado será realizada uma avaliação e, se necessário, os pontos com adversidades poderão ser refeitos.
Em Londrina, o Executivo enviou para à Câmara, no final de março, o projeto de lei que busca autorização para o município integrar o Cindepar. Entretanto, a prefeitura retirou de pauta na última semana alegando que o texto precisava passar por algumas alterações. O prazo é de que ele seja entregue novamente na quinta-feira (29), estando, a parti daí, apto para votação no plenário da Casa. (P.M.)


