Londrina - O ecoesportista paulistano Dan Robson Dias já percorreu as principais bacias hidrográficas do País. O objetivo dele é mapear a qualidade da água de rios e lagos Brasil afora. Agora chegou a vez de Londrina. A bordo de um caiaque, ele percorreu ontem trechos dos lagos Igapó e Norte para coletar material para análise em laboratório. A ação faz parte do projeto Águas do Amanhã, de iniciativa da Companhia Nacional de Saneamento (Conasa), empresa com sede em Londrina e que atua em vários Estados.
Dias começou o percurso de 10 quilômetros pelo Lago Igapó às 9 horas. Com um caiaque equipado com uma sonda, ele fez a avaliação por parâmetros visuais, presença de odores, lançamentos de esgoto, tubulações clandestinas e lixo flutuante. O serviço foi feito sob chuva fraca que caiu sobre a cidade pela manhã. O otimismo inicial com os exames rápidos que mediram o oxigênio e o PH, todos normais, deu lugar a preocupação em uma análise mais apurada.
Segundo o especialista, os níveis de sulfetos e nitratos estão elevados, resultado do despejo de lixo, poluente de veículos como graxa e óleo e possíveis pontos de esgoto clandestino. "Não aconselho ninguém a nadar ou a pescar aqui", alertou, ao saber que as placas que proíbem o banho no Lago Igapó são frequentemente ignoradas. "À primeira vista a condição da água parece boa, mas não é isso que os exames mostram."
Depois de exames com reagentes, Dias rebaixou a qualidade da água do Lago Igapó de boa, na avaliação visual, para regular, mas amostras da água que foram coletadas e encaminhadas para exames laboratoriais mais aprofundados podem revelar uma situação ainda mais grave. Os materiais serão analisados na Universidade Municipal de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Os resultados para a constatação de bactérias e outras itens de risco devem ser divulgados no início da semana que vem.
Acostumado com realidades bem distintas, como as vistorias por rios como o Tietê e Pinheiros, na capital paulista, Dias disse que a situação do Lago Igapó não é grave, mas recomendou cautela. "Todos os rios mais poluídos começaram assim um dia", advertiu. Durante a tarde, o ecoesportista também percorreu o Lago Norte que, no final de janeiro, foi tomado por uma grande quantidade de espuma despejada por uma empresa de medicamentos, multada em R$ 100 mil. A assessoria da Conasa informou que o real diagnóstico das águas de Londrina pode contribuir para ações preventivas, de fiscalização e ainda auxiliar nas políticas públicas de meio ambiente.

CURRÍCULO
Dias se disse feliz por incluir Londrina na extensa lista de cidades brasileiras que visitou com os projetos ambientais. Entre as aventuras, está o percurso a pé do Chuí (RS) ao Oiapoque (AP) pelo litoral brasileiro, concluído em um ano; o recorde sul-americano de permanência em cavernas, pelos 61 dias passou na caverna Alambari de Cima, no Parque Estadual do Alto do Ribeira, na região do Vale do Ribeira, em São Paulo; e a jornada de bicicleta pela Rodovia Transamazônica. "Já fiz muita loucura nessa vida, o gosto por aventuras sempre falou alto. Com o tempo descobri que tinha que retribuir isso. Passei a ajudar a natureza", contou.
Segundo ele, tudo começou em 2001, quando ele cansou de "viver a vida pelo computador". "Chegou uma hora que eu estava até comendo em frente ao computador, senti que precisava mais do que aquilo, que o mundo era maior que o meu monitor." Desde 2009, Dias se dedica a analisar as águas de praias, rios e lagos do País. Com ações nas represas Billings e Guarapiranga, em São Paulo, Dias lembra que a importância da água. "Com a crise hídrica, o brasileiro se atentou, da pior forma, para a importância da preservação dos cursos hídricos. Essa conscientização tem que durar para toda a vida", ressaltou.

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