Há alguns meses, a professora Maria Cristina Navas, de Londrina, teve problemas na hora de sacar dinheiro de sua conta bancária. Por engano, ela digitou uma senha incorreta e seu cartão foi bloqueado. Devido ao incidente, a correntista teve que aguardar para falar o gerente de sua agência e só depois disso conseguiu resolver o problema e pode efetuar o saque que desejava. ''Acabei me confundindo na hora de digitar os números, pois tenho três cartões de bancos diferentes. Depois disso, passei a usar a mesma senha para todos eles para não correr o risco de confundi-las'', relatou.
O contratempo enfrentado pela professora não é um fato raro. Afinal de contas, haja criatividade e memória para elaborar tantos códigos secretos e lembrar de cada um deles na hora de acessar e-mails, contas de banco, cartão de crédito, perfil de redes sociais, entre tantos outros serviços. E essa lista só aumenta. Atualmente, até para entrar em casa algumas pessoas precisam digitar conjuntos de caracteres, pois vários condomínios estão adotando sistemas de segurança com esse recurso.
A estudante Larissa Galvês conta que já se esqueceu algumas vezes das senhas criadas para acessar e-mails e seu perfil nas redes sociais. ''Tenho senha de e-mail, Orkut, Twitter e Facebook. Já fui obrigada a criar novos perfis por ter esquecido a senha e não conseguir acessar minha conta. É difícil lembrar de todas elas'', argumenta.
A artesã Eva Silveira revela criou adotou um método para memorizar com facilidade suas senhas. ''Cadastro números que remetam a datas especiais para mim ou números de celular de amigos. Está danto certo, pois nunca me esqueci das minhas senhas''.
Já a auxiliar de limpeza Dilma da Silva confia na própria memória e ressalta que sempre teve facilidade em guardar números. ''Sempre decorei números de telefone e senhas com facilidade. Tenho uma memória tão boa que nem preciso anotar minhas senhas, lembro tudo de cabeça'', enfatiza.
Dicas
A tática de Dilma é aprovada pelo professor do curso de Engenharia da Computação da Unopar, Danilo Augusto Silva. ''É muito arriscado deixar a senha anotada, pois alguém pode ter acesso a ela e se tornar vítima de roubos e outros golpes'', alerta.
O professor também desaconselha usar uma única senha para vários serviços, assim como os códigos criados a partir de datas de nascimento, placa de carro ou sequências númericas. ''Isso deixa a pessoa vulnerável pois serão as primeiras alternativas usadas por alguém que queira descobri-las. E a pessoa que usa a mesma senha pode sofrer prejuízo ainda maior, pois uma vez descoberta o golpista terá acesso a várias contas seja em bancos ou contas de sites de internet'', salienta.
Silva ressalta que o ideal é que a senha tenha palavras compostas, mistura de letras e símbolos e caracteres minúsculos e maiúsculos. ''Isso vai dificultar que a senha seja descoberta. É importante ter esse cuidado, pois atualmente existem programas ativados por vírus no computador que decifram senhas testando combinações numéricas iniciando por sequências lógicas, além de incluir todas as palavras do dicionário. Por isso, deve-se evitar criar senhas com números sequenciais, como 1, 2, 3, 4 ou com palavras simples e únicas'', orienta.
O docente dá algumas dicas para a criação de senhas seguras e de fácil memorização. ''A pessoa pode por exemplo usar as letras iniciais de uma frase, como 'eu tenho três cachorros e dois gatos para criar' a senha Et3cedg. Também é aconselhável substituir a letra A por arroba (@) e a letra i pelo ponto de exclamação (!)'', sugere.

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