Os londrinenses possuem uma relação peculiar com as ruas da cidade. Sejam pelos nascidos nesta terra ou por aqueles que escolheram viver aqui, o fato é que muitos endereços são facilmente assimilados a determinados bairros, justamente pelos nomes das vias.
Basta observar o mapeamento da cidade para se deparar com conjuntos habitacionais cujas ruas possuem temas como indígenas (Vila Casoni), africanos (Parque Ouro Verde), de cientistas (Vila Industrial), de aviadores (Jardim Santos Dumont), de flores (Jardim Interlagos), celebridades (Conjunto Vivi Xavier), profissões (Chefe Newton e União da Vitória), cafés (Conjunto Café), entre outros.
Um exemplo está na Região Central, onde as vias de grande fluxo de trânsito, pedestres e comércio carregam nomes de Estados brasileiros. Em todo o quadrilátero central é possível ''estar'' em Goiás, Pará, São Paulo, Rio de Janeiro ou Santa Catarina.
''Na época em que surgiram essas primeiras ruas, não existia uma lei específica para nomeá-las. Aos poucos, elas ganharam nomes de estados, traçadas pela própria Companhia de Terras do Norte do Paraná, com exceção da Avenida Duque de Caxias, que foi uma homenagem ao militarista brasileiro'', recorda o historiador Alcides Francisco Miranda, 74 anos, ex-funcionário público da Câmara Municipal.
Vivendo em Londrina desde 1939, Miranda relembra que a cidade começou a se expandir em torno da Duque de Caxias, que era a principal via de acesso à cidade daqueles que vinham do Oeste Paulista e que, por isso, se tornou um ponto comercial. Em seguida, foram os bairros Vila Nova, Vila Casoni e Vila Brasil que começaram a ganhar contornos e moradores.
''Existiam ruas com nomes que foram substituídos nas décadas de 60 e 70 para homenagear políticos. Por exemplo, a extensa Rua Antonina que margeava todo o Centro deu lugar à Avenida Juscelino Kubistcheck'', comenta ele, ao recordar que a Ceará deu lugar à atual Rua Prefeito Hugo Cabral.
E entre tantas histórias que Miranda conta, uma curiosa é sobre a Rua Brasil, antiga Rio Grande do Sul, que começava na Sergipe e ia até a Celso Garcia Cid. ''Na década de 50, ela era conhecida como a zona do meretrício, onde muitos homens batiam nas portas das casas em busca de diversão. Furiosas, as donas de casa se juntaram e fizeram um abaixo-assinado pedindo aos vereadores a mudança do nome. Foi então que ela passou para Cambará e hoje, Brasil'', revela.
Para o historiador, ter ruas com nomes relacionados facilita a assimilação dos endereços. ''Basta citar os nomes para se situar em qual bairro ela fica. Por isso, acho importante preservar essa relação'', diz.

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