Curitiba - Na hora de escolher a escola do filho, profissionais da área pedagógica concordam em um ponto: a família deve fazer uma auto-avaliação sobre quais são os valores e princípios seguidos em casa. A partir daí fica mais fácil escolher a instituição. Foi isso que fez a contadora Sandra Mara Ramos, mãe de Lorena, três anos. A pequena vai começar a frequentar a escola a partir do ano que vem, na série Jardim I. A busca pelo local onde Lorena vai estudar já começou. Entre os estabelecimentos visitados, Sandra ficou atenta aos valores repassados pela escola às crianças. ''Avalio a educação como um todo'', explica.
Mais experiente no assunto, a empresária Silvana Finger passou uma vez por este processo, quando o filho Leonardo, atualmente com 10 anos, iniciou os estudos. Desta vez a procura será para Amanda, de quatro anos. ''Agora ficou mais fácil. Fiquei mais experiente'', brinca. Ela presta atenção na organização, no espaço físico, na preparação dos professores, na realização de trabalhos lúdicos e na relação dos pais com os educadores.
Como a educação é uma parceria entre a escola e os pais, os ensinamentos vêm dos dois lados. Por isso a importância de conhecer a proposta pedagógica de educação, a linha de pesquisa, a forma como as noções de respeito ao próximo e a arte são introduzidas nas aulas.
Segundo o diretor do Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR), Ademar Batista Pereira, os pais também devem estar atentos à higiene, estrutura e formação dos professores. E se a mudança de escola for necessária, ela deve ser feita em comum acordo entre filho e pai. ''Algumas crianças não querem mudar de escola ou elas próprias decidem onde irão estudar. Os alunos devem ser ouvidos, mas a escolha final deve ficar a cargo dos responsáveis'', opina.
A diretora do Centro Educacional Evangélico (CEE), a psicóloga Raquel Momm, diz que muitos pais ainda procuram a escola buscando por atividades secundárias, sem se preocupar com o principal objetivo de qualquer instituição. ''A maioria dos responsáveis pela criança está interessada em saber do uniforme, do transporte, das aulas adicionais como balé, futebol, judô, etc. A principal finalidade dos primeiros anos na escola é permitir que as crianças criem habilidades básicas para que sejam alfabetizadas com tranquilidade'', explica.
Em 12 anos como diretora do CEE, Raquel conta que em apenas duas ocasiões pais solicitaram a documentação para ver a legalidade da escola, como CNPJ, vistoria dos bombeiros, licença sanitária, alvará de funcionamento e autorização da secretaria de educação para que a instituição atue como uma escola. ''Isso não garante que a educação seja boa, mas uma escola que se preocupa com a qualidade do ensino e a segurança dos alunos terá tudo isso regularizado'', opina.
Outro ponto importante, segundo Raquel, é os pais organizarem o orçamento e o tempo para poderem oferecer uma educação de qualidade. ''Não ganhamos aumento de salário por nos tornarmos pais. Mas podemos priorizar a educação de nossos filhos. Assim, o carro mais caro fica de lado e as idas ao shopping podem ser reduzidas em função de uma oportunidade educacional melhor''.
O diretor do Colégio Objetivo, professor Carlos Dorlass, completa lembrando que os cálculos de custos não devem resumir-se à mensalidade, ''mas precisam considerar todos os serviços inclusos, como treinos esportivos, práticas culturais e o ensino de uma língua estrangeira''.
Diferentes objetivos
Não é raro ver exemplos de pais que pedem indicação de escolas para os amigos. Isso não deixa de ser importante, mas é necessário cuidado. ''Nem sempre a escola que é boa para o filho do vizinho será boa para o meu também. Os responsáveis devem decidir qual a educação que buscam para o filho e escolher de acordo com os próprios princípios'', sugere Raquel.(D.C.)
Para ajudar pais e alunos, o Colégio Objetivo realiza desde 2007 encontros com pais que ainda estão na dúvida em qual escola optar. Assim, enquanto os filhos realizam atividades com as educadoras, eles assistem uma palestra sobre como funciona o processo de educação na instituição. ''Este contato com as professoras que futuramente serão as educadoras daquelas crianças é importante'', conta Dorlass.

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