Quadrinhos prevêem caos mundial
PUBLICAÇÃO
sábado, 10 de outubro de 1998
Em decadência, Superman morreu para renascer modernoGuilherme Vieira 
O futuro da humanidade previsto pela maioria das histórias de quadrinhos até o fim do século 21 é de um caos total. Nesses exercícios de ficção uma parcela mínima da população, algo em torno de 1% ou 2%, vai ter acesso à tecnologia e ao conhecimento, enquanto a grande massa vai trabalhar para sustentar este padrão e passar fome. Junte a isso um cenário pós-guerra em que tudo está em ruínas por causa de explosões nucleares. Ainda bem que são apenas quadrinhos.
Entretanto é bom lembrar que as HQs têm uma relação muito especial com a futurologia. Muitos autores tentaram no passado adivinhar em suas páginas como seria a sociedade do ano 2000 e por diversas vezes tiveram sucesso nas previsões de quais inventos estariam à disposição da humanidade no fim do século XX.
Nas histórias do herói espacial Flash Gordon, criadas por Alex Raimond nos anos 30, Gordon usa pistolas de raios que se assemelham muito ao raio laser de hoje. Os fãs do herói do espaço contam também a história de que os engenheiros da Nasa sempre buscaram inspiração nas páginas da revista de Flash Gordon, o que acabou fazendo com que as linhas aerodinâmicas do foguete Saturno fossem inspiradas nos desenhos do gibi.
Já nos quadrinhos clássicos do detetive Dick Tracy, os autores colocaram à disposição do herói, nos anos 40, um relógio de pulso que era um transmissor e receptor de som e imagem, algo como conversar com alguém via internet com recursos multimídia, de som e câmera.
Mauro FrassonProfessor Key Imaguire diz que projeção do futuro é feita sobre realidade de hoje. Foi abandonada a idéia de futuro limpo e de tecnologia fartaPara o professor de Arquitetura Brasileira da UFPR e um dos idealizadores da Gibiteca de Curitiba, Key Imaguire Junior, o que os autores estão fazendo é um exercício de como será no futuro partindo da realidade e dos reflexos da sociedade vistos hoje nas grandes cidades. A tendência que a gente sente com a classe média é realmente essa, de que caminhamos para um achatamento, arrisca. Imaguire conta que osautores contemporâneos como o espanhol Altuna e o francês Bourgeon abandonaram a idéia de um futuro limpo e de tecnologia farta. A tendência é de um Homem cada vez mais primitivo e brutal, munido com equipamentos militares e onde a tecnologia significa poder.


