Trabalhar isoladamente texto ou imagem nem sempre gera resultados satisfatórios, mas a associação dos dois é uma ferramenta poderosa de comunicação. Uma iniciativa desencadeada pelo curso de Design da Universidade Estadual de Londrina (UEL) vai aproveitar essa união para produzir três revistas em quadrinhos sobre a prevenção e o combate ao mosquito Aedes aegypti e sobre a utilização do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
A coordenadora das HQs no curso de Design da UEL, Paula Napo, destaca que os gibis informativos foram criados para o projeto "História em Quadrinhos como ferramenta ao Design da Informação". "Nós entramos em contato com a gráfica da UEL e nos foi exposto que havia uma demanda muito grande na área de saúde e que uma questão alarmante era o problema da dengue", relata. A professora realizou uma reunião com os alunos da disciplina de histórias em quadrinhos e foi elaborado um briefing, uma espécie de resumo conciso e objetivo para gerar instruções de trabalho. A partir disso, foram desenvolvidas a concepção e as etapas de produção do projeto, que tiveram colaboração da Secretaria Municipal de Saúde.
Nas reuniões foi possível obter parâmetros para definir o público-alvo das revistas e outras informações, com a colaboração do secretário de Saúde, Gilberto Martin, e da equipe técnica da pasta. No entanto, o que seria direcionado apenas para a dengue tomou um rumo inesperado. Durante uma conversa, o secretário de Saúde afirmou que precisava também de um material sobre a utilização correta do Samu, para tornar o serviço mais eficiente. Foram criados então quatro grupos de cinco alunos.
"Nós tivemos uma reunião para pegar o briefing com a Marina Chenso (assessora de gabinete), da Secretaria de Saúde, e ela nos passou informações sobre o Samu e sobre o mosquito Aedes aegypti. Ela apontou que deveríamos fazer um trabalho de prevenção e combate ao mosquito e não somente contra a dengue, já que o mosquito transmite várias doenças", relata a professora.
Por orientação de Martin, as informações deveriam ser repassadas de maneira mais agressiva. "A população já está acostumada com a informação da prevenção, então decidimos mostrar as consequências de não realizar a prevenção e o combate. Ele disse que falar tranquilamente sobre o problema faz com que a população não encare isso com tanta seriedade", explica.
As revistas serão impressas com linguagens diferenciadas para cada faixa etária. Uma será produzida para crianças, outra para os adolescentes e um terceiro grupo ficará focado no público universitário, de 18 a 25 anos. "Nós não definimos que as revistas deveriam seguir determinado estilo, mas o traço utilizado para o pessoal mais adulto foi mais seco, para não tornar a revista muito infantilizada", explica Paula.
Martin destaca as vantagens de abordar esses assuntos em uma história em quadrinhos. "É uma linguagem diferente, mais artística. A comunicação fica mais fácil e a grande tarefa é caprichar na forma para sensibilizar as pessoas. Eles apresentam um outro caminho, uma nova forma de falar", afirma. Ele explica que o material ainda precisa de alguns ajustes técnicos antes de ser impresso, mas a política de utilizar materiais semelhantes pode ser incorporada pela pasta. "Eu gostei da qualidade. Achei a linguagem diferente e acessível", elogia.

mockup