Quadrilhas praticam golpe do carro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de junho de 1997
Osmani Costa Londrina 
Josoé de CarvalhoÉ fria!O consultor de vendas Alex Bueno, que pensou bem e se livrou do golpe: O negócio era bom demais para ser verdadeiroUm novo golpe - para ludibriar pessoas afoitas e que gostam de levar vantagem em tudo - está sendo praticado por quadrilhas de estelionatários em Londrina, São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e outras cidades dos estados do Sul e Sudeste do País. Elas usam o espaço de classificados de grandes jornais, se passam por representantes das montadoras de automóveis, oferecem preços mais baixos que os de mercado, recebem a taxa de adesão e... desaparecem.
A Folha recebeu algumas reclamações de pessoas que sofreram este golpe nos últimos meses, mas quase sempre elas não querem se identificar por vergonha ou por medo de represálias dos quadrilheiros. O consultor de vendas Alex Ricardo Bueno Netto quase caiu no golpe no início desta semana. Ele estava procurando um automóvel para comprar e encontrou um anúncio classificado bastante chamativo.
Era tão bom que, apesar de animado, fiquei também desconfiado, comenta Alex Netto. Segundo ele, o anúncio oferecia um Fiat Pálio zero km por R$ 3.500,00, abaixo da tabela das revendedoras, e o pagamento parcelado em 40 meses. Seria uma espécie de consórcio, só que eles exigiam uma entrada de R$ 2.750,00, o que considerei alta demais. Então, resolvi procurar maiores informações, antes de fechar o negócio.
O telefone que aparecia no classificado era (031) 975-5608, de Betim (MG), cidade onde a Fiat possui sua montadora no Brasil. O consultor de vendas conta que quem atende ao telefone se identifica como Gabriel Salomão e se diz da gerência da Divisão de Consórcios da Fiat. É ele quem confirma a proposta do anúncio publicado pelos jornais e informa que mandará, por fax, a ficha de inscrição no grupo de consorciados.
Comecei a desconfiar de que o negócio era bom demais para ser verdadeiro por dois motivos. Primeiro, porque minha mulher também fez alguns contatos telefônicos e conseguiu informações diferentes, contraditórias. Segundo, porque o tal Salomão disse que eu deveria mandar os R$ 2.750,00 de entrada no mesmo dia, explica Alex Netto. Na sequência, ele ligou para o Setor de Informações da fábrica da Fiat em Betim.
Segundo Alex Netto, na Fiat até as telefonistas já sabem da existência desse golpe e orientam sobre os cuidados que devem ser tomados para evitar a ação dos quadrilheiros. Na fábrica, disseram que não existe nenhum Gabriel Salomão na Divisão de Consórcios e que ele, certamente, pertence a uma das muitas quadrilhas de estelionatários que praticam este tipo de golpe em Minas Gerais e outros estados, afirma.
De acordo com o consultor de vendas, a Fiat já denunciou à Polícia a ação destas quadrilhas. Disseram-me que elas usam documentos falsificados com a logomarca da Fiat. São grupos muito bem organizados e a Polícia está tendo dificuldades em prender os golpistas, conta Alex Bueno Netto.
O consultor de vendas, que pensou bem antes de querer levar vantagem em tudo, faz um alerta aos incautos: Se eu não tivesse tomado uma série de cuidados, hoje seria mais um na lista das vítimas. Sei que é difícil, para os jornais, checar a veracidade sobre os produtos anunciados em todos os classificados. Por isso, acho que a Polícia e as companhias telefônicas deveriam agir com mais rigor, para evitar a atuação dessas quadrilhas, diz Bueno Netto.


