Quadrilhas agem na clonagem de celular
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quarta-feira, 26 de agosto de 1998
Adriana Ribeiro 
Celular pode ser considerado sinônimo de comodidade, mas também de muita dor de cabeça para os usuários que têm o azar de terem seus aparelhos clonados por quadrilhas que a cada dia agem em maior número. E o Paraná não está de fora da rota de atuação desses grupos, que trazem grandes prejuízos tanto para os consumidores como para as empresas de telefonia.
O securitarista Hermínio de Castro Silva, por exemplo, viveu um drama quando seu telefone foi clonado entre março e abril deste ano. Com isso, em sua conta telefônica surgiram ligações para os Estados Unidos e Emirados Árabes, que totalizaram quase R$ 1 mil.
A Telepar Celular, responsável pela telefonia móvel da Banda B no Paraná, não divulga o número de casos de clonagem. O problema existe, mas não é em volume tão significativo, diz o gerente do Departamento de Operações, José Carlos de Almeida Rocha.
Mas a impressão que se tem é que os casos não são poucos. Na semana passada, o deputado estudal Florisvaldo Fier (PT-PR), o dr. Rosinha, teve um susto quando recebeu sua tarifa telefônica, que ultrapassou R$ 7 mil. Ele teve o telefone clonado e em sua conta surgiram ligações para o Egito, Israel, Afeganistão, Síria e Kwait.
Mesmo prejuízo teve um amigo de Hermínio. A conta chegou a R$ 7 mil. A Telepar exigiu que o valor fosse pago, para depois ser ressarcido através de uma ação judicial. Sem pagamento, o telefone permanece cortado.
O gerente da Telepar Celular afirma que a clonagem é feita através da interceptação no ar da troca de sinais existente entre o cliente e a empresa, no momento em que a chamada está sendo feita. Neste momento, o fraudador grava os números de série e do telefone, que são adaptados em outro aparelho que tem seu número de série apagado. Tudo é feito com a ajuda de equipamentos eletrônicos.
Segundo Rocha, o usuário do celular não tem como perceber se seu telefone está clonado. Ao contrário do que se diz, as constantes linhas cruzadas não são um sinal do problema. O cliente só descobre quando recebe a fatura, comenta.
Para evitar novas clonagens, a Telepar Celular, junto com empresas telefônicas da Banda A de todos os Estados, estão usando, desde o mês passado, um sistema anti-fraude, que monitora todas as chamadas em curso no País. O equipamento permite detectar se um mesmo número telefônico está sendo usado em um pequeno espaço de tempo em diferentes cidades.


