Quadrilha tenta roubar malote
e provoca tiroteio no aeroporto
Homens encapuzados e com metralhadoras invadem pátio de manobras, trocam tiros e fogem; um assaltante morreu
Lucilia Okamura
Um assaltante foi morto durante troca de tiros entre vigilantes de uma transportadora de valores e ladrões, ontem, por volta das 8 horas, no pátio de manobras do Aeroporto de Londrina, na zona leste. A tentativa de assalto durou poucos minutos e assustou as pessoas que estavam no aeroporto. Os outros assaltantes conseguiram fugir.
Todos os assaltantes estavam armados com metralhadoras e pistolas, segundo informações do delegado da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Valdir Abrahão da Silva. Ele diz que ainda não há como precisar o número exato de ladrões, afirmando apenas que são mais de cinco.
O superintendente da Infraero, Lourival Briana, explica que dois assaltantes arrombaram o portão dos fundos do aeroporto (onde estão as instalações da Petrobrás) e entraram com uma camionete - um Fiat Fiorino, placa AHO 0883, de Curitiba. Enquanto isso, outros três assaltantes passaram pela entrada principal do aeroporto e renderam o vigilante da Infraero que estava no saguão.
O vigilante do aeroporto, que se identificou apenas como Domingos, relata que um dos assaltantes apontou uma arma em sua cabeça e foi levado até a pista, próximo ao avião. No local, ele foi liberado. Ele diz não ter visto o tiroteio.
Ainda de acordo com Lourival Briana, os assaltantes invadiram o pátio de manobras onde os malotes estavam sendo manuseados, e começou o tiroteio com os vigilantes da transportadora TGV. ‘‘Nenhum funcionário do aeroporto se envolveu na confusão’’, ressalta.
Os malotes que estavam sob responsabilidade da transportadora TGV vieram de Curitiba, no avião F-50, da empresa Rio-Sul. A zeladora do aeroporto, Lídia Dias Gouveia, conta que viu um dos assaltantes subindo no trator onde estavam os malotes. O assaltante, segundo ela, estava encapuzado. ‘‘Eu estava varrendo, vi o ladrão e logo depois começou o tiroteio’’, relata. Ela conta ainda que ficou bastante assustada e viu todo mundo correndo, para fugir do tiroteio.
Durante o tiroteio, um dos assaltantes, Rogério Bricola, 23 anos, ficou ferido e foi atendido pelo Siate. O médico do Siate, Humberto Bottura, informa que Bricola levou cerca de cinco tiros - nos braços, pernas e um na nuca. Ele explica que o assaltante sofreu duas paradas cardíacas ainda no aeroporto, mas conseguiu ser reanimado. Quando era transportado para o Hospital Universitário (zona leste), ele sofreu uma outra parada cardíaca. O assaltante chegou a dar entrada no hospital, mas não resistiu e morreu.
Os outros assaltantes teriam fugido pelo portão dos fundos, segundo o delegado-adjunto da 10ªSubdivisão Policial de Londrina, Acácio de Azevedo, na mesma camionete na qual entraram no aeroporto.
O presidente do Sindicato dos Vigilantes de Londrina, Gabriel Trindade, afirma que os malotes iriam para o Caixa Forte do Banco do Brasil para, em seguida, serem distribuídos entre as agências. O gerente de negócios do Banco do Brasil, Nilson José dos Santos, não confirma a informação. Segundo ele, o serviço é terceirizado e não é controlado pela superintendência do banco. Ele afirma ainda desconhecer se nos malotes havia dinheiro ou apenas documentos.
No momento do tiroteio, dois aviões da Rio-Sul estavam na pista. Um F-50, que veio de Curitiba e trouxe os malotes, havia acabado de desembarcar 21 passageiros. Uma outra aeronave, também F-50, estava com 13 passageiros para seguir para Curitiba. ‘‘O avião decolou normalmente’’, afirma Murilo Rocha, assessor de imprensa da empresa.

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