Uma quadrilha suspeita de montar um esquema para sequestrar proprietários de revendas de automóveis, em Curitiba e em Santa Catarina, foi desmantelada pelos policiais do Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial). Quatro homens e uma mulher foram presos entre sexta-feira e ontem, em Curitiba e região. Segundo o delegado-chefe do Tigre, Riad Farhat, a quadrilha lucrou mais de R$ 500 mil com as extorsões, num período de, pelo menos, seis meses.
Com informações privilegiadas sobre as vidas dos empresários, os suspeitos os atraíam para uma casa com o argumento de venderem carros a eles. Os modelos dos veículos eram oferecidos conforme os perfis dos estabelecimentos. Além dos baixos preços pedidos pelos carros, a quadrilha armava uma história para convencer a vítima de que a compra deveria ser na casa e não na loja. A credibilidade dos falsos compradores aumentava a cada conversa. A negociação mentirosa durava cerca de dez dias para o empresário confiar no falso vendedor.
As casas usadas pelos sequestradores eram registradas em imobiliárias, onde a quadrilha solicitava as chaves fingindo interesse em alugar o local. Depois de cinco horas, tempo médio do sequestro, a chave era devolvida. "Com o empresário dentro da casa, eles anunciavam o sequestro e exigiam o resgate", explicou Farhat. Então a vítima, acuada sob ameaças de morte e pressão psicólogica, era obrigada a ligar para sua empresa e solicitar um depósito alto em uma conta bancária indicada pelos bandidos.
"Uma mulher era encarregada de emprestar a conta de outras pessoas", comentou o delegado. Esses "laranjas", segundo o policial, não saberiam que suas contas seriam utilizadas para receber dinheiro de origem criminosa. Como a quantia extorquida chegava a R$ 100 mil, a quadrilha pedia aos donos das contas para avisarem com antecedência seus gerentes bancários sobre um saque de valor alto que seria realizado, o que facilitaria a retirada rápida. No dia do crime, os suspeitos verificavam o depósito e, em seguida, abandonavam a vítima no local.
Um dos presos foi funcionário de várias revendas em Curitiba e é hoje dono de uma pequena loja do ramo. Ele tinha muitas informações sobre a vida pessoal de seus alvos. Até ontem, a polícia registrou sete vítimas na Capital e outra em Santa Catarina. A quadrilha se preparava para cometer outros sequestros em Porto Alegre e São Paulo.
Os presos devem responder por extorsão mediante sequestro. Foram apreendidos dinheiro, celulares, armas e computadores. Nenhum carro. O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) investigará a movimentação financeira da quadrilha. Farhat ressaltou que todo dinheiro conseguido pelos sequestradores era rapidamente gasto.

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