Quadrilha rouba palmito de mata nativa
A mata nativa da Fazenda Remansinho (região sul), localizada a cerca de 12 quilômetros do centro de Londrina, foi vítima da ação organizada de uma quadrilha de roubo de palmito. Em menos de um ano, foram retirados da mata, de forma indiscriminada, entre 40 mil e 65 mil pés do produto.
O furto só foi percebido há cerca de dois meses, quando funcionários da indústria Hemmer, de Santa Catarina, estiveram na propriedade para fazer o corte dos palmitos, seguindo os critérios determinados pelo Ibama (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente).
Segundo um dos proprietários da área, Osvaldo Reverendo Vidal Júnior, sete anos atrás foi feito um contrato com a Hemmer, através do qual a indústria faria a exploração do palmito nativo da área, devidamente regulamentado pelo Ibama. O primeiro corte foi feito naquela época e o segundo ocorreria há dois meses. Quando os funcionários da empresa entraram na mata não encontraram mais nada.
Paulo WolfgangProprietário da caminhonete, vista na mata, nega qualquer envolvimento com furtoEssa quadrilha cortou tudo. Não deixou nem os pés necessários para o repovoamento, relatou Vidal Júnior. Na terça-feira da semana passada, Osvaldo Franco, funcionário da fazenda Monte Carmelo, que integrava a fazenda Remansinho antes da divisão da área total entre os herdeiros, perseguiu e anotou as placas de dois veículos que deixavam peões nas proximidades da mata (ver matéria nesta página).
Segundo Franco, pelo menos oito homens desceram de cada caminhonete com foices embaixo do braço. Após perseguir os veículos por cerca de cinco quilômetros, na estrada da Maravilha, ele retornou para a propriedade e comunicou o caso ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP).
Lá pelas 8h30 chegaram dois fiscais do IAP. Pouco antes das nove horas, umas oito pessoas saíram da mata, carregando foices e colchões e seguiram em direção à Usina Três Bocas, mas os fiscais não prenderam os homens, comenta. De acordo com Franco, os fiscais teriam alegado que não poderiam prendê-los porque eles não estavam carregando palmito e, portanto, não havia o flagrante.
Paulo WolfgangFranco perseguiu veículos que deixaram peões na áreaNo mínimo, eles tinham que prendê-los para averiguação, disse Vidal Júnior. Embora afirmem que não imaginavam que poderia estar ocorrendo roubo de palmito na mata, a movimentação estranha na área foi detectada há cerca de um ano. Segundo Franco, na época tinha um Fusquinha azul que passava insistentemente na região.
Alguns homens entravam na mata e demoravam horas para sair. Franco contou que começou a ficar de olho e sempre por perto quando notava aquele movimento. Aí eles pararam, ficaram uns quatro meses sem aparecer. Depois começaram a vir novamente e desta vez usando uma Ranger de manhã e uma F-4000 à noite. Este último veículo, na avaliação de Franco, ia buscar a colheita feita durante o dia. Via o movimento, mas só agora estou ligando as histórias, disse Franco.
Na noite de 24 de outubro, uma sexta-feira, Franco, que mora próximo ao local onde os veículos deixavam os peões, disse também ter observado uma movimentação que lhe chamou a atenção. Por volta das 20 horas, ele ouviu um caminhão indo em direção à mata. O veículo retornou apenas 20 minutos depois.
O grande movimento de veículos no local, embora suspeita, não despertou a desconfiança dos fazendeiros, segundo Vidal Júnior, porque a estrada que corta as propriedades é utilizada por muita gente. A estrada também conduz à Estação de Captação da Sanepar, no Limoeiro, justificou. Ele acredita que os ladrões, além da estrada da Maravilha, utilizavam também a estrada do Limoeiro e os rios dos Apertados e Tibagi para retirar a colheita. A mata fica bem próxima à confluência dos dois rios.
Os ladrões de palmito fizeram cortes indiscriminados do produto. Até mesmo pés novos, que não poderiam ser aproveitados, foram cortados e deixados na mata. Isso que fizeram, além de roubo e invasão de propriedade, é um crime ecológico, comenta Vidal Júnior. O prejuízo econômico dos fazendeiros também foi grande. A Hemmer pagaria R$ 1,50 por pé de palmito.Paulo WolfgangDono iria receber até R$ 1,50 por pé de palmito; poucos restaram no local: ladrões cortaram até os que não poderiam ser aproveitadosBenê Bianchi





