Londrina – Em vez de cobra, chuva, ou a ponte que quebrou, os contratempos da quadrilha da festa julina, comemorada na tarde de ontem no Conjunto Vivi Xavier (zona norte de Londrina), eram outros. Ao microfone, o animador contratado pelo Núcleo de Apoio à Saúde da Família (Nasf) alertava: "Olha o colesterol! Olha a diabete!" A mudança na letra tradicional em nada prejudicou o espírito da festa, elogiada pelo público formado, na maioria, por idosos.
A quadrilha tomou todo o espaço do salão da Paróquia São Vicente Palloti. A falta de homens não era problema. As damas deram um jeito. Ana Valério, de 68 anos, improvisou um bigode com um lápis de maquiagem e, em seguida, várias amigas aderiram à mudança. A mais experiente de todas, a aposentada Maria Alves Ferreira, que completou 100 anos no mês passado, assistia a tudo de sua cadeira. E gostou do que viu. "Esse clima de alegria faz muito bem", disse.
Há seis anos, ela faz parte do grupo de cerca de 70 pessoas assistido pelo Nasf da zona norte. Duas vezes por semana, os usuários participam de aulas de Educação Física sob a orientação do professor Wellington Berbel. "Não há idade para participar. Fazemos atividades direcionadas para cada caso", explicou o professor.
No caso da centenária, as aulas servem para espantar a solidão. Durante o dia, ela fica em casa sozinha até a filha voltar do trabalho. "Eu gosto muito. Se não fossem essas aulas, poderia até não estar mais aqui. Quero continuar por muito tempo ainda", planejou.
A noiva da quadrilha, Ângela Bicheri da Silva, de 70 anos, começou a fazer as aulas há três meses e não pensa em desistir. "É muito bom, aconselho todos que estejam em casa desanimados que procurem o posto de saúde e se inscreva nas aulas", recomendou. Todos se divertiram com o sotaque castelhano de José Maria dos Santos, 71 anos, que interpretou o padre da quadrilha. "Aqui é o espaço que temos pra nos divertir. Procuro fazer umas piadas alegrar o ambiente", contou.

Resultados
Arnaldo Carrazoni, de 75 anos, é o principal articulador para a criação de um Conselho de Saúde nos bairros da zona norte. Nas próximas semanas, os moradores se reunirão para definir os últimos detalhes. "É preciso se organizar. Somente assim teremos voz para reivindicar nossos direitos", analisou. Segundo ele, a festa foi toda organizada por meio de arrecadações. "A sociedade se organizou e cada um trouxe um prato, pediu um brinde para o sorteio. Quando todos se juntam, os resultados aparecem". Cerca de 200 pessoas participaram da festa.
A enfermeira Fernanda Naldi, coordenadora da Unidade Básica de Saúde (UBS) do Vivi Xavier, destacou que as atividades trazem tantos benefícios físicos como psicológicos para os idosos. "As políticas de saúde pública orientam a não deixar o idoso isolado, isso dá margens para depressões e outras doenças. Com as atividades, eles cuidam do corpo e da mente". As aulas abordam cuidado pessoal, higiene e alimentação. O trabalho é aberto para toda a comunidade, mas atrai geralmente o público da terceira idade.

mockup