Quadrilha que agiu em Ortigueira era da região
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Fernanda Borges<BR>Reportagem Local 
Foi em meio a um grande aparato policial que 12 suspeitos de integrar a quadrilha responsável pela sequência de crimes cometidos em Ortigueira (113 km ao sul de Apucarana), na última sexta-feira, foram apresentados à imprensa ontem. O secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, veio a Londrina para a apresentação, realizada na 10 Subdivisão Policial. Entre os presos está um ex-soldado da Polícia Militar. O dinheiro roubado foi recuperado.
A sequência de crimes aconteceu na sexta-feira, dia 10, quando a quadrilha fortemente armada chegou ao destacamento da PM de Ortigueira. Ali, tomaram como reféns o comandante, dois soldados e o prefeito Geraldo Magela (PSDB), levados numa viatura policial. Depois, renderam cerca de dez pessoas na delegacia da cidade, onde tomaram dinheiro e pertences.
A quadrilha assaltou as agências do Banco do Brasil, Itaú e Sicredi, além de uma lotérica, uma loja de telefonia celular e um posto de combustíveis, todos em Ortigueira. Um policial civil e um transeunte foram baleados. Os reféns foram abandonados em seguida.
O secretário destacou que logo após o crime foi disponibilizado ''tudo que havia de possível'' para agilizar o trabalho da polícia. ''Mandamos um helicóptero, 13 integrantes do COE (Comando de Operações Especiais), mais um avião. Na sequência mandamos outra equipe por terra, mobilizamos as cinco subdivisões da região e os cinco batalhões da região. No operacional, foram mais ou menos 200 policiais que imediatamente fecharam o cerco da região. Não havia possibilidade de ocorrer uma fuga'', disse.
Menos de 24 horas após o crime a polícia conseguiu localizar o primeiro suspeito. Segundo o secretário, isso ''abriu caminho'' para a prisão dos demais envolvidos. ''São pessoas daqui de Londrina e região. É uma quadrilha bastante organizada, bem estruturada.''
Com informações e fotografias oriundas das delegacias de Londrina, Cambé e Ibiporã, foi possível o reconhecimento pelas vítimas de pelo menos seis envolvidos. Por volta das 21 horas de sábado, a polícia encontrou outros dois suspeitos, num posto de combustível próximo à cidade de Mauá da Serra (54 km ao sul de Apucarana). No local, foram apreendidas duas armas de fogo. Também no sábado, a polícia encontrou coletes a prova de bala e armas de fogo numa propriedade rural na Estrada do Caetê. Ao mesmo tempo, com a identificação dos integrantes da quadrilha, a polícia conseguiu mandados judiciais para as prisões.
Na região de Ortigueira foram presos Vinícios Marcelino, 28; Adinaldo Célio Monteiro, 31; Edinei Moreira Motta, 36, e um adolescente de 17 anos. O caseiro José Derli dos Santos, 46, e o taxista José Maria Lopes, 58, também presos, são apontados como responsáveis pelo transporte de alimentos e roupas utilizadas pelo bando.
Em Londrina a polícia prendeu os taxistas Oscar Rodrigues dos Santos e Osmar Thomé de Souza, 39, este último é ex-soldado da Polícia Militar. Tiago Moreira da Silva foi preso por participação direta nos fatos ocorridos em Ortigueira, além de responder por tentativa de homicídio. Na cidade de Cambé foram detidos Júlio Cezas Gasques de Oliveira, 21; Antonio Gomes de Oliveira (pai de um outro suspeito) e Anselmo Roberto da Silva, 34. Nenhum dos suspeitos quis falar com os jornalistas.
De acordo com a polícia, outras quatro pessoas já tiveram suas prisões decretadas por participação direta e estão sendo procuradas. A polícia não conseguiu encontrar até o momento os fuzis e metralhadoras.
Delazari atribui a escolha de Ortigueira pelos bandidos à dificuldade para agir em Londrina, já que a cidade ''tem sido objeto de uma ação policial muito ostensiva e forte. ''Quando você aperta determinada região, os criminosos começam a procurar outras regiões. Esses tipo de crime têm sido uma característica em outros estados, mas no Paraná a resposta que foi dada é que aqui isso não vai acontecer'', enfatizou.


