Quadrilha produzia crack em chácara
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de maio de 2000
Valcir Machado De Santo Antônio da Platina Especial para a Folha 
Numa ação conjunta que envolveu 40 homens, as polícias Civil e Militar de Santo Antônio da Platina prenderam ontem cinco acusados de integrar uma quadrilha paulista de traficantes de crack e cocaína. De acordo com um policial da P2 (Polícia Reservada), cujo nome não pode ser revelado, eles alugaram uma chácara próximo à cidade, onde produziam a droga e vendiam no interior de São Paulo.
Foram apreendidos 5,5 quilos de crack, mas segundo o tenente Robson Vieira, comandante da Polícia Militar em Santo Antônio da Platina, a produção girava em torno de 400 quilos por mês. Os acusados, cujos nomes a polícia não revelou, estavam numa picape S10 e num Corsa e foram perseguidos pela PM na zona rural. Houve troca de tiros e dois deles foram presos. Quatro homens que estavam na caminhonete atingiram os vidros de uma viatura com tiros e fugiram por estradas secundárias.
No trevo conhecido como Agroceres, já na BR-153, furaram o cerco montado pela polícia, abandonaram o veículo dois quilômetros depois e desapareceram em um canavial. Até o início da noite eles não haviam sido presos. As buscas deveriam prosseguir à noite.
Os integrantes da quadrilha mantinham uma mansão no Jardim São Francisco, bairro nobre da cidade, onde foram detidas três mulheres suspeitas. Elas não revelaram nada à polícia. Na casa e na chácara foram apreendidos oito veículos, sendo duas motos, além de telefones celulares, eletroeletrônicos e outros objetos estavam na chácara. Também foram apreendidos uma pistola Glok, de fabricação austríaca, e farto material usado para a produção principalmente de crack.
O tenente da P2 explicou que o caso ainda não pode ser divulgado com detalhes porque a quadrilha é de alta periculosidade e as investigações ainda estão em andamento.
O delegado de Santo Antônio da Platina, Sérgio Taborda, comentou a sofisticação e o modo como a quadrilha agia. Eles tinham aparelhos HTs (rádios receptores e transmissores de alta frequência) e monitoravam as conversas da polícia. Utilizavam também aviões monomotores, cujos tripulantes davam vôos rasantes e jogavam a pasta de cocaína em descampados e matagais da zona rural, onde os comparsas já aguardavam com os carros.
Conforme o delegado, a quadrilha também pode estar ligada ao duplo homicídio ocorrido no dia 9. Dois corpos foram encontrados carbonizados na margem do Rio das Cinzas.


