Israel Reinstein
A Polícia Militar prendeu ontem, em Curitiba, cinco pessoas acusadas de participar de uma quadrilha que assaltava bancos, carros fortes, ônibus e supermercados no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. Os possíveis assaltantes agiam principalmente em pequenos municípios, onde detinham os policiais nas cadeias, para depois roubar os estabelecimentos comerciais.
A estimativa da PM é que eles tenham roubado desde o início do ano passado cerca de R$ 1 milhão. No entanto, quando foram presos, eles estavam de posse de R$ 5 mil, mil guaranis além de jóias e relógios. Foram apreendidos ainda uma pistola, um revólver e uniformes da corporação. A polícia investiga outras seis pessoas que pertenceriam a quadrilha.
O major Sílvio Santos de Morais Sarmento, do Grupo Águia, conta que os acusados foram presos ontem pela manhã, no Boqueirão. ‘‘O líder do grupo é João Evandir Pires de Lima, conhecido como João Cabelo, que já tem 86 anos de prisão decretada’’, diz Sarmento. João Evandir Lima é acusado de matar cinco policiais civis e militares do Paraná e Santa Catarina, além de sua esposa. ‘‘Ela o teria denunciado, por isso foi assassinada em frente aos filhos’’, afirma.
O major conta que ‘‘Cabelo’’ agia em conjunto com Osni Pires de Lima, 42 anos, Jorge Paulo Camargo, 28 anos, Nelson Luiz Ribeiro Simões, 38 anos, e Júlio Cezar Machado, 26 anos. Lima nega que os presos tenham ligações com a quadrilha.
Sarmento garante que os assaltantes agiam de maneiras diferentes, conforme o tamanho das cidades. No interior, a prática era prender os policiais nas próprias delegacias - como fizeram em Ribeirão Claro (Norte Pioneiro) e Irati (Sul) - para depois roubar as lojas e bancos. A mesma sistemática foi usada nos municípios catarinenses de Campo Alto e Campo Alegre.
Nas cidades de maior porte, os assaltantes usavam uniforme da polícia para invadir bancos e supermercados. O último assalto da quadrilha foi realizado no banco Banestado de Fazenda Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba. Ainda este mês, eles teriam roubado R$ 40 mil de um traficante de tóxico em São José dos Pinhais, sendo responsáveis também de assaltos a joalheira e supermercados na mesma cidade.
A polícia suspeita que João Evandir de Lima (Cabelo) tenha outro parceiro, que estaria sob investigação. ‘‘Existem três pessoas presas, que já afirmaram pertencer ao grupo’’, diz o major, que pretende descobrir onde os ladrões adquiriram os uniformes da polícia.

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