Ibiporã Álcool de cereal, malte e corante. Desta receita sem segredos, uma quadrilha de falsificadores que atuava em Londrina e Ibiporã (14 km a leste de Londrina) envazou milhares de garrafas de uísque, vendidos em bares e casas noturnas da região metropolitana e do Mato Grosso do Sul nos últimos meses, de acordo com as investigações preliminares.
Além do uísque, a quadrilha falsificava Absinto, Amarula e Campari.
Na noite de anteontem, três pessoas foram presas pelo serviço de inteligência (P2) da Polícia Militar. Abastecido por informações do disque-denúncia, o 161. Elas estão detidas na carceragem da Polícia Federal, que ficará responsável pelo inquérito. Darci Fernandes Balieiro, 59 anos, Neuza Penido da Silva, 54, e Róbson Fernandes, 24, primários, devem ser indiciados por falsificação de bebidas e falsificação de selo federal, crimes que podem gerar condenação de dois a a seis anos de detenção. Ontem, eles se recusaram a depor e disseram que só falarão em juízo.
Balieiro, o cabeça do grupo, era responsável pelas vendas e usava sua casa no Jardim Três Marcos (Zona Zul de Londrina) como escritório para o ''negócio''. Na casa de Neuza, no Alto Cafezal (também Zona Sul), cujos fundos se transformou em uma fabriqueta, havia vasilhames vazios e milhares de rótulos. Ela foi presa quando envazava a bebida.
Em uma chácara à margem do Rio Tibagi, em Ibiporã, Róbson também foi preso em flagrante. A propriedade era a base da produção. Foram encontrados tonéis de 200 litros de álcool de cereal, corantes e malte, além de um lacrador de garrafa. No total, foram contadas 6 mil garrafas à espera do envaze, feito artesanalmente. Trezentas delas já estavam prontas para serem vendidas. O volume, segundo os policiais, não era suficiente para as encomendas feitas para o final de semana. No local, a PM achou receitas para a falsificação. O delegado da PF, Flávio Mozzaquatro, acredita que a grande quantidade de malte encontrado na chácara tenha sido comprada em São Paulo.
A produção incluía a reutilização de vasilhames adquiridos junto a recicladores, o uso de diversos tipos de selos de controle da Receita Federal (afixados no lacre das garrafas) e de réplicas de rótulos de marcas nacionais e estrangeiras conhecidas. Os números de série dos selos, em vários casos, apresentavam duplicidade.
De acordo com a P2, os rótulos e os selos falsos eram de boa qualidade. ''A falsificação não era perceptível à leigos'', afirmou tenente Rangel Calixto. Os uísques eram vendidos, segundo apurações do serviço reservado, por cerca de um terço do valor de mercado. Este indício de má-fé por conta dos compradores motivou a PM a continuar as investigações. Segundo o diretor de fiscalização da Receita Federal, Mário Sonomura, o órgão fará investigação paralela à da PF para apurar a origem da falsificação.

mockup