Quadrilha paraguaia quer qualidade
O Paraguai é hoje um mercado receptador praticamente saturado para os veículos roubados no Brasil. A afirmação é de Lúcio Antônio Marques, membro da diretoria da Federação Nacional das Seguradoras (Fenaseg), que reúne as 120 maiores empresas do ramo no Brasil.
‘‘As quadrilhas do Paraguai não estão mais interessadas na quantidade, e sim na qualidade’’, disse Marques, em entrevista por telefone à Folha, da sede da Fenaseg, no Rio de Janeiro. Segundo ele, o interesse dos receptadores paraguaios recai agora apenas sobre carros importados roubados no Brasil.
Além de ter valor mais alto, esses veículos são vendidos com mais rapidez e também são melhor aceitos na troca por drogas e armas. Também são muito requisitados para o desmanche, para a reposição das peças em outros veículos importados. Enquanto o valor médio de um importado atinge cerca de US$ 80 mil no Brasil, um bom carro nacional custa, em média, 50% desse valor.
‘‘Com a crise brasileira, o poder aquisitivo no Paraguai caiu por terra’’, afirmou à ‘Folha’ um empresário de Foz do Iguaçu especializado em ‘‘resgatar’’ no exterior – principalmente no Paraguai – carros roubados no Brasil. ‘‘Hoje o Paraguai não tem dinheiro, quem tem dinheiro é o tráfico de drogas, na Bolívia e na Colômbia’’, completou o empresário, que prefere não se identificar.
Segundo ele, nesse ano a ‘‘exportação’’ ilegal de carros brasileiros ao país vizinho caiu 60%, devido à crise. A economia paraguaia sofre forte influência do desempenho do Brasil nessa área.
Apesar da recessão no ‘‘mercado’’ paraguaio, o roubo de veículos no Brasil não pára de crescer. Entre janeiro e setembro, segundo dados da Fenaseg, foram registrados no País 267.402 casos – um crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano anterior. Do total roubado em 99 foram recuperadas 121.854 unidades (45%).
O prejuízo das seguradoras brasileiras só neste ano já atinge R$ 26,75 milhões. A estimativa é de que a frota circulante seja formada hoje por 26 milhões de unidades.
Segundo Marques, a maior parte dos carros roubados no Brasil atualmente permanece no próprio País. Eles são desmanchados em ferros-velhos clandestinos ou são levados para Estados distantes do local do roubo. Uma parcela crescente vai para a Bolívia para ser trocada por cocaína, a exemplo do que ocorre com veículos roubados no Paraguai. O Paraguai absorve uma boa parcela dos importados roubados – que representam entre 13,5% e 15% do total.
A receita da Fenaseg para reduzir o roubo – em qualquer país – é o investimento público em segurança. Neste ano, a entidade já doou 25 computadores usados à Polícia Civil do Rio de Janeiro, Estado campeão nacional em número de roubos em relação à frota circulante (2,63 por cem), com o objetivo de que ela se torne mais ágil na recuperação e entrega dos carros a seus donos. (V.D.)

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