A polícia de Maringá investiga novo caso de corrupção na 13ª Ciretran. Um funcionário já foi afastado, acusado de entregar cartões que liberavam os veículos apreendidos pela Polícia Militar que estavam no pátio da Ciretran. Os cartões eram entregues para dois rapazes que falsificavam o documento e entregavam os veículos aos proprietários.
De acordo com a investigação interna da própria Ciretran, 17 veículos que estavam irregulares (apreendidos por irregularidades na documentação ou por condução de motorista não habilitado) foram liberados pela quadrilha com os cartões falsificados.
De acordo com as investigações da polícia, o auxiliar administrativo da Ciretran, Marcos Dias Pereira, 23 anos, entregava os cartões que já estavam na secretaria do órgão para o pintor Carlos Alberto Freitas, 23 anos. Os cartões servem para o controle dos veículos, que são liberados somente após regularização dos documentos e pagamento de multas.
Freitas, por sua vez, entregava os cartões para o mecânico Marcos Roberto Alves Ramos, 25 anos, que fazia a adulteração do documento. Ele alterava o número da placa do veículo que consta no cartão de controle da Ciretran. Ramos é acusado de encomendar os cartões a Freitas. Depois da falsificação, Ramos entregava os cartões para outros integrantes da quadrilha, que buscavam os veículos na Ciretran.
O delegado Benedito Gonçalves, que preside o inquérito, conta que Ramos oferecia a Freitas de R$ 50,00 a R$ 100,00 por cartão adquirido na Ciretran. Depois Ramos cobrava dos proprietários os custos pela liberação dos veículos.
Gonçalves acredita que os proprietários desconheciam o esquema montado pela quadrilha. Apenas uma proprietária de veículo prestou depoimento ontem, afirmando desconhecer o esquema de falsificação.
Além dos três, a chefia da Ciretran, que iniciou as investigações internas, aponta o envolvimento de Wilson Martins Furquim, 27 anos, e Gemerson Caetano de Souza, 21 anos. Segundo o chefe interino da Ciretran, Carlos Alberto Massaneiro, o crime foi descoberto porque a presença constante dos acusados nas dependências do órgão despertou suspeitas. Na maioria dos casos, os veículos liberados eram motos.
Os acusados não foram presos em flagrante. Porém, Gonçalves revelou que pretende pedir a prisão preventiva dos envolvidos por crime de formação de quadrilha e estelionato. Segundo o delegado, a quadrilha cobrava dos proprietários dos veículos apreendidos cerca de 40% do valor das multas. O mais grave é que os veículos continuavam com a documentação irregular no Detran. Gonçalves espera ouvir os outros proprietários dos veículos até o início da semana que vem.

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